Dizer adeus ao jardim das delícias terrestres: uma introdução benigna à 6ª Expulsão
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O verdadeiro centro de gravidade da ‘crise climática’ reside menos no seu aspecto natural e objectivo de ‘climática’ do que no seu aspecto social e subjectivo de ‘crise’. Há uma crise dentro da crise, e pior, escondida.
Este capítulo situa-se metodologicamente à escala do seu objecto específico: não a ‘crise climática’, mas o acontecimento historial integral em que ameaçam chegar ao fim simultaneamente a história dos homens e a história da natureza. O seu horizonte temático, disciplinar e autoral conjuga organicamente filosofia, ecologia, sociologia, antropologia, biologia, psicanálise, teoria crítica; o sentido do universo, da existência, da vida, do ser; o papel funcional do Negativo e da morte nos fenómenos da totalidade orgânica e dos ecossistemas, mas também na estrutura da existência, na constituição da consciência, nas formas do saber e da verdade; a revisão da relação entre homo sapiens sapiens e as hipóteses Gaia e Medeia, e a reconstrução do imperativo categórico (Kant) e do princípio responsabilidade (Jonas) em imperativo ecológico; a reabilitação polémica do antropocentrismo e do tecnocapitalismo; ou explorando os efeitos constelacionais de ler reciprocamente Lovelock, Hegel, Žižek, Heidegger, Freud.
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MARTINS, José, “Dizer adeus ao jardim das delícias terrestres: uma introdução benigna à 6ª Expulsão”, in Desenvolvimento Sustentável. Verdade e Consequências. Lisboa, Documenta, 2022, pp. 253-312