“A fábrica da memória: transacção e negociação das memórias colectivas”

dc.contributor.authorSantos, J.R dos
dc.contributor.editorArimateia, Rui
dc.date.accessioned2012-05-15T15:59:56Z
dc.date.available2012-05-15T15:59:56Z
dc.date.issued2011
dc.description.abstractAo definir a memória como um processo cuja estrutura envolve três momentos, registo, acesso e expressão, cada um dos quais age e retroage sobre os outros, demos a entender que a memória não é um armazém passivo, disponível e objectivo como uma colecção de objectos que falariam por si sós. Sobretudo, a construção de narrativas recombina os elementos da memória de maneiras variáveis, mas a variação está constrangida, limitada, pela cultura do grupo enquanto variável “latente”: apenas em parte consciente para os sujeitos. A segunda etapa levou-nos um pouco mais longe: a “memória colectiva” é uma arena na qual os indivíduos e os grupos interagem influenciando-se mutuamente, efectuando “transacções” nas quais troca, influência e poder estão sempre em jogo. As memórias colectivas são negociadas, em função de interesses presentes, entre aqueles que podem reivindicar parcelas (sempre diferentes) de passados cuja existência faz problema, cuja existência está até em causa, antes que eles se tornem causas pelas quais as pessoas lutam. Mas estes processos colectivos (a outro grau também os individuais) não se desenvolvem de modo totalmente arbitrário: quando se defrontam diversas concepções da memória, diversas selecções do que vale como memória e diversas elaborações das narrativas da memória, elas ainda “jogam” no interior duma cultura que produziu o que foi (o que quer que tenha sido) como produz o presente e as visões de futuros possíveis. A tomada de consciência da natureza da complexidade do processo, tanto a nível individual (psíquico e até físico) como a nível colectivo (transacção, negociação), deve permitir escapar aos dilemas ideológicos que paralisam o conhecimento destes processos: nem “património” objectivo, legado unívoco e indiscutível como pretendem os “tradicionistas ” nem construções arbitrárias absolutamente contingentes, ligadas aos “desejos” presentes e como estes, supostamente, livres e aleatórios. A tarefa que resulta desta tomada de consciência é, sim, a duma antropologia das representações, a duma sociologia (situadas no tempo e no lugar concretos de cada sociedade) das práticas memoriais enquanto movimento e processo social sui generis: a fábrica da memória.por
dc.identifier.authoremailjsantos@uevora.pt
dc.identifier.citation2011 Santos, J. Rodrigues dos. “A fábrica da memória: transacção e negociação das memórias colectivas”, in Arimateia, R. (coord.) Oralidades: ao encontro de Giacometti. Lisboa, Colibri, 2011: 101-115. ISBN 978-989-689-102-2por
dc.identifier.isbn978-989-689-102-2
dc.identifier.locationLisboa
dc.identifier.scientificarea602por
dc.identifier.urihttp://hdl.handle.net/10174/5123
dc.language.isoporpor
dc.publisherColibripor
dc.rightsopenAccesspor
dc.subjectMEMÓRIApor
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dc.subjectIDENTIDADEpor
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dc.subjectNEGOCIAÇÃOpor
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dc.typebookPartpor
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degois.publication.titleOralidades: ao encontro de Giacometti. Lisboa, Colibri, 2011: 101-115.por
degois.publication.volume1por

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