5. Emancipação feminina: sem volta a trás? A crise global e as mulheres Prospectivas "materialistas"
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Ora, é absolutamente óbvio que a única função na qual as mulheres são, mais ainda que "indispensáveis", insubstituíveis, é a reprodução. São elas e apenas elas que engravidam, dão à luz, amamentam e reproduzem biologicamente as sociedades, com o contributo biológico momentâneo dos homens. A assimetria entre os sexos é constitutiva da espécie, e não existe nenhuma possibilidade de transgredi-la. (...) As mulheres ainda têm em cada sociedade uma responsabilidade que lhes é própria e exclusiva: dar ao mundo os indivíduos que renovam cada geração. E terão essa responsabilidade biológica enquanto uma sociedade não decidir suicidar-se fechando o ciclo das gerações. Incómodo, mas irrecusável. Na necessidade de novos dispositivos de regulação da relação entre trabalho (e mais precisamente) carreiras, e reprodução, reside o essencial da estratégia que poderia permitir que em caso de crise global, as mulheres, em vez de retrocederem para um estatuto inferior, fizessem valer o papel essencial que a reprodução (e portanto em primeiro lugar elas), desempenha na sobrevivência das sociedades. No regime cultural que ainda persiste, a reprodução da sociedade (que assenta em primeiríssimo lugar na reprodução biológica), é considerada como um dado adquirido. Um erro grave.
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Santos, José Rodrigues dos, 2023. 5. Emancipação feminina: sem volta a trás? A crise global e as mulheres Prospectivas "materialistas" (5ª parte)