A antinomia de Esfera pública e Democracia no pensamento de Antonio Negri

dc.contributor.authorViparelli, Irene
dc.date.accessioned2018-09-27T15:27:42Z
dc.date.available2018-09-27T15:27:42Z
dc.date.issued2012
dc.description.abstractO presente artigo pretende contribuir para a reflexão sobre a problemática da democracia no nosso mundo contemporâneo, investigando a crítica movida por Negri às concepções da democracia fundamentadas no binómio: esfera pública – esfera privada. Pois, no dispositivo teórico de Negri, o conceito de democracia, longe de ter uma significação unívoca, abrange de facto duas representações opostas da sociedade: “democracia” é, em primeiro lugar, a forma de governo “republicana”, que se tornou dominante ao longo da modernidade nas duas versões - liberal e socialista. Tal concepção da democracia, por ser estruturada sobre os conceitos de esfera pública, opinião pública, povo, nação, Estado, apresenta, no ver de Negri, um duplo limite - teórico e histórico: por um lado ela constitui, quer na sua versão liberal, quer socialista, uma forma de soberania enraizada na desigualdade social, que assim não apenas exclui a possibilidade duma real libertação dos homens, mas, pelo contrário, estabelece as condições sociais da exploração do trabalho. Por outro, a democracia como forma específica de governo perdeu, com o fim da modernidade e o advento da pós-modernidade globalizada, qualquer significação política e teórica: «Se se concebe a democracia nos termos duma autoridade soberana, que seja representativa do povo, então a democracia na idade imperial não apenas não se encontra realizada, mas de facto é irrealizável». (Negri 2003, p. 96). Contudo existe, segundo Negri, um outro sentido do termo democracia que, expressando o projecto político de libertação dos homens de qualquer forma de soberania, se torna inconciliável de modo absoluto com toda a tradição política e teórica moderna. Pois Negri, retomando a ideia espinoziana de “democracia absoluta”, identifica-a com o “comunismo”, isto é, com a afirmação dum ordenamento social liberto de toda dominação e estruturado sobre a absoluta potência constituinte da multidão, sobre a criatividade ontológica da socialidade humana. Nos limites deste artigo por um lado, através da crítica movida por Negri às categorias de público e privado, tentaremos abordar a questão da problematicidade de colocar o problema da democracia no nosso mundo contemporâneo; por outro, por meio duma apresentação da categoria negriana de “comum”, pretenderemos mostrar a tentativa feita por Negri de estabelecer a mesma problemática da democracia de modo radicalmente diferente, por meio da criação dum novo aparato categorial.por
dc.identifier.authoremailnd
dc.identifier.citation2012: «A antinomia de Esfera pública e Democracia no pensamento de Antonio Negri», in M. Nunes da Costa (Org.), Democracia, Mass media e esfera pública. V. N. Famalicão, Húmus, pp. 15-23 (ISBN 978-989-8549-23-5).por
dc.identifier.urihttp://hdl.handle.net/10174/23494
dc.language.isoporpor
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