Comentário: da candura das questões à nocividade das conceções

dc.contributor.authorMendes, Felismina R. P.
dc.contributor.editorCarpinteiro, Graça
dc.contributor.editorCorreia, Tiago
dc.date.accessioned2016-01-12T17:28:54Z
dc.date.available2016-01-12T17:28:54Z
dc.date.issued2015
dc.description.abstractNa sociedade atual cada vez se vive mais tempo e com mais saúde e no entanto os indivíduos nunca se preocuparam tanto com a saúde. Cada vez se fala mais de saúde, cada vez se reivindica mais saúde e cada vez se têm mais medos associados à saúde, medos esses alimentados pelas campanhas promovidas por organizações nacionais e internacionais de promoção da saúde. Nestas campanhas, em que a saúde é apresentada com um direito individual inalienável, persiste também a noção de que os estilos de vida atuais são, por definição, não saudáveis e também a principal causa das doenças que afligem a sociedade (cancro, diabetes, doenças cardiovasculares, demências). O medo provocado e mantido pelas campanhas de promoção da saúde, encoraja o sentimento de responsabilidade individual pela saúde e pela doença, levando os indivíduos a comer saudavelmente, a praticar exercício físico, a deixar de fumar, a fazer checkups regulares, a tomar medicação preventiva. Estes medos, por sua vez, geram ansiedade, a adesão a novas regras e a um aumento da supervisão individual (Fitzptrick, 2001; Crawford, 2006). A adesão individual a este programa de controlo social, transfigurado em promoção da saúde, é incondicional. Neste contexto, os governos e os grandes grupos financeiros e farmacêuticos fomentam e capitalizam o aumento da ansiedade individual e coletiva e vêm nela a oportunidade de introduzir um novo quadro normativo, dentro do qual os indivíduos se sintam confortáveis e adiram a novas regras, numa regulação contínua dos espaços e tempos individuais e sociais (Iriart, Franco e Merhy, 2011). O sentimento de vulnerabilidade individual também nunca foi tão grande e as campanhas de saúde são a resposta, sempre bem-vinda, para sanar medos e ansiedades, de um público aparentemente informado e integrando os estratos mais elevados da sociedade – aqueles que consomem regularmente saúde. Para os outros, aqueles que não consomem regularmente saúde (só quando estão doentes) e cuja participação e acesso a bens e serviços é escassa, estas campanhas apenas configuram mais uma mudança das políticas de saúde, longe de qualquer preocupação com as suas reais necessidades.por
dc.identifier.authoremailfm@uevora.pt
dc.identifier.citationMendes, F. (2015). Comentário: da candura das questões à nocividade das conceções. In Graça Carapinheiro e Tiago Correia (orgs), Novos Temas da Saúde, Novas Questões Sociais. Pp: 171-186, Lisboa: Ed. Mundos Sociais. ISBN: 978-989-8536-44.por
dc.identifier.isbn978-989-8536-44
dc.identifier.scientificarea274por
dc.identifier.urihttp://hdl.handle.net/10174/16597
dc.language.isoporpor
dc.publisherMundos Sociaispor
dc.rightsopenAccesspor
dc.subjectSaúdepor
dc.subjectDoençapor
dc.subjectcontrolo socialpor
dc.subjectsupervisão individualpor
dc.titleComentário: da candura das questões à nocividade das conceçõespor
dc.typebookPartpor
degois.publication.firstPage171por
degois.publication.lastPage186por

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