O cuidado na prática psicomotora – aspectos do amadurecimento corporal humano

Abstract

A psicomotricidade, como campo de conhecimento transdisciplinar e método de tratamento para as vicissitudes do corpo em estreita ligação à mente (psique), é recente em Portugal e carece de um estatuto próprio e identificativo. Uma maior protusão, definição e estabelecimento da conduta do psicomotricista poderá levar, porventura, a um maior reconhecimento, estatuto e identidade. Como tal, existe do nosso ponto de vista uma necessidade de reforçar estas dimensões anteriormente referidas e pretendemos apresentar uma proposta que conceptualiza uma ética para a psicomotricidade. O desenvolvimento das práticas terapêuticas de mediação corporal pelo psicomotricista, através de uma abordagem corpo-mente, e as condições pelas quais o cuidado psicomotor deve ocorrer, conduzem-nos a refletir sobre obstáculos e dificuldades que podem ser encontrados em situações de cuidado psicomotor, bem como das necessidades da formação contínua de conhecimentos teóricos e de competências práxicas, com vista à melhor dispensa do referido cuidado. A prática psicomotora não se reduz a técnicas. Tão importante quanto o saber-fazer do psicomotricista conta também o seu saber-ser. O cuidado está ligado aos saberes; o saber-ser é o núcleo para se estabelecer o saber fazer. Concomitantemente, tem de existir uma mobilização intelectual, uma curiosidade, entusiasmo e investimento nos domínios teórico-práticos, por sua vez, de carácter multidisciplinar. O psicomotricista deve adoptar um referencial teórico-prático epistemologicamente definido, que apoia a compreensão diagnóstica, o levantamento de hipóteses clínicas e a própria práxis.

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