Teoria e história do restauro em Portugal 1537-1929: uma reflexão comparada sobre a ideia de monumento e património nacional.

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Universidade de Évora

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“Sem resumo feito pelo autor” - Várias são as razões que justificam a necessidade e utilidade de haver um tratamento teórico, histórico e cronológico do que foi o pensamento que desenvolveu uma Teoria e História do Restauro, aplicado ao caso português. As que reputamos de maior importância prendem-se com o necessário conhecimento dos antecedentes que nos permitem ponderar com maior rigor o enquadramento e limites teóricos das intervenções de conservação ou restauro, efectuadas no presente. Por outro lado, Portugal ainda não dispõe de uma reflexão global teórica e histórica que descreva o seu relacionamento ao longo do tempo com um acumulado e antiquíssimo passado, vertido em significativos exemplos patrimoniais, vistos também comparativamente ao quadro geral europeu. Todavia, este tema de estudo vem já colhendo na década de 90 do século XX, interessados e estudiosos, ganhando curriculum académico e universitário o que, cada vez mais, têm vindo a aprofundar determinados aspectos deste percurso histórico peculiar. Curiosamente não têm sido os arquitectos a abordar esta matéria mas, em particular, os historiadores formados na vertente da História da Arte. É deveras sintomático que assim seja. Em verdade, a formação do arquitecto foi sendo afastada do estudo das humanidades e dos grandes arquétipos conceptuais da História, da História da Arquitectura e das artes em geral, que estiveram tradicionalmente presentes como inspiração e crítica, fazendo dessa corrente interior, o imorredouro fio condutor de tantas visões e concepções. Hoje, o historiador especializado em História da Arte consegue mover-se melhor nas várias fontes, articular-se com a arqueologia, com a arquivistica, com a paleografia, e outras disciplinas mais ajustadas ao seu treino profissional de uma metodologia e análise histórica. Poderíamos assim representar o nosso contributo como um atrevimento, irrompendo por áreas de tal modo especializadas que ensombrassem os nossos intentos. Mas todavia, e sem requerer presunção exaustiva, buscamos neste nosso trabalho uma resposta satisfatória à pergunta: o que significa conservar ou restaurar em Portugal? Percorrendo as várias áreas que permitem uma contribuição esclarecedora, ilustradoras de perspectivas, de hipóteses, conjugámos a nossa experiência profissional de arquitecto com o conhecimento histórico-documental, no sentido de se delinearem ideias e conceitos estabelecidos por variadas teorias, pensamentos, gestos que serviram de exemplo, constituindo um corpur de sugestões capazes de trazer uma luz sustentável sobre o nosso relacionamento nacional com a ideia de monumento, com a ideia de identidade representada através de um parque monumental preservado e cultivador. Nestas reflexões procurámos a máxima de Vitrúvio (sec. I AC), citada logo no início do seu Tratado de Arquitectural, advertindo aqueles que se limitam a perseguir a sombra das coisas, uma vez que desconhecem a "re aedificatorid', que é conhecimento dos arquitectos. Feita esta reflexão por um Arquitecto, ressalvamos desde logo a eventualidade de apenas vislumbrar uma descrição histórico-documental, descolada de uma realidade construtiva ou edificada. No entanto não era assim no passado, pois formado nesse preâmbulo Vitruviano da "architettura ert scientza pluribus di.rciplinis' (a arquitectura é um acumulado de saberes concorrentes), o conhecimento do Arquitecto estendia-se a um importante leque das áreas do saber, nomeadamente a dimensão histórica, sempre dominante desde o Renascimento até ao início do século XIX, quando o ensino Politécnico em França introduziu uma importante vertente técnico-científica, que progrediu depois numa escola de conceptualidade arqueológica e anatómica de vertente positivista. Compreende-se melhor, assim, porque é que as intervenções contemporâneas em património histórico edificado tendem a ser inspiradas por uma redução à obra nova, sua teorização arquitectónica e tectónica, pois é somente essa a linguagem estrita hoje ensinada nas escolas de arquitectura em Portugal, seguindo ainda uma abordagem conceptual "sergista”, aplicado ao restauro.

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