Arte e liberdade: Artes plásticas em Portugal após o 25 de Abril

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Almedina

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Em Portugal, com um atraso em relação aos contextos europeu e norte-americano, costuma marcar-se a década de 1970 como ponto de viragem da arte contemporânea pós-moderna, coincidindo com a maior abertura política e cultural da época marcelista e com as vanguardas emergentes após a Revolução de 25 de Abril de 1974. A arte contemporânea fundamenta-se como rutura: cada criação, cada expressão é um processo de individualização ou de radicalização da diferença. Mais do que suplantar, a intenção-função do artista é encontrar o inédito, através da figura ou da abstração concetual, através das formas, das matérias, das técnicas e dos suportes, ou da linguagem subjacente ao discurso estético. Face à multiplicidade de expressões, a definição de uma matriz comum à arte contemporânea parece ser inviável e, neste contexto, prescindível. O primeiro desafio ao falar do estado da arte contemporânea em Portugal é a difícil síntese de um amplo universo de artistas, práticas e expressões. Cingimo-nos, por isso à abordagem das chamadas artes plásticas, na derivação corrente das disciplinas da pintura e da escultura, abdicando de vertentes a fotografia, o vídeo ou a media-art, exceto nos casos em que estas se cruzem nas obras dos artistas convocados nesta resenha. Distinguimos, neste âmbito, entre arte representacional (mais do que figurativa), a qual se mantém como prática essencial da produção cultural, mantendo uma relação solidária com o mundo sensível, qualquer que seja o seu grau de iconicidade, e arte conceptual que, desde a década de 1970, em Portugal, se afirma como uma tendência dominante, assente na materialização de uma ideia e dos seus significados implícitos.

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Roque, M. I. (2019). Arte e liberdade: Artes plásticas em Portugal após o 25 de Abril. In A. Cunha (Ed.), Portugal 1974-2019: 45 anos de democracia (pp. 239-286). Coimbra: Ed. Almedina.

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