TIRAR DOUTRINA

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Universidade Federal de Uberlândia

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O prefaciador da edição de 1972 da História Geral das Guerras Angolanas diz que, no vol. III dessa obra, Cadornega descreve a etnografia de Angola e Congo, onde se misturam “divagações, crendices e ingenuidades” (pp. VIII), sem dúvida sucessos extraordinários e extravagantes , que muitas das vezes resultam da incompreensão do que é observado, quer por se tratar de culturas diferentes, quer pelo desejo de tudo se querer apreender de acordo com os valores da cultura ocidental. O objecto deste ensaio é o de observá-los enquanto narrativas literárias. Falamos de narrativas porque esse é o género dominante na obra. Também havia, nas mesmas comunidades e quer entre reinóis quer entre filhos da terra, “poetas e curiosos” a versejar . A menção a poetas aparece várias vezes, bem como a pregadores exímios na oratória, mesmo em outras fontes. É escasso o nosso conhecimento desses textos. A História General transcreve alguns (de um filho da terra e, no final, de um reinol). O relato dos festejos pela beatificação de Francisco Xavier copia mais alguns. Não sendo suficiente o material conhecido até hoje para nos debruçarmos com detalhe sobre a oratória ou a lírica, e visto que a obra está cheia de pequenas estórias, voltámo-nos para a narrativa.

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