Estudo Fitossociológico do Barrocal Algarvio (Tavira-Portimão)

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Universidade de Évora

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"Sem resumo feito pelo autor"; - Desde há muito que o Professor Malato-Beliz, com o seu saber, experiência e empenho, nos sensibilizou para a importância e necessidade de aprofundar o conhecimento florístico e vegetal do Barrocal algarvio. Tal facto, associado à necessidade académica de apresentara dissertação e de a submeter à apreciação de júri qualificado para a obtenção do grau de Doutor em Ciências do Ambiente, Ramo Ecologia Vegetal, levou-nos à decisão de escolher aquela Região. Feita a escolha e fixados os limites da área estudada desenvolveu-se, de 1993 a 1997, um trabalho intensivo, que nos permitiu percorrer, observar e amostrar, em distintas épocas do ano, e em várias direcções, por vezes enfrentando situações dificeis, as encostas e cerros do Barrocal. Além do trabalho realizado pelo notável e insigne fitossociólogo Prof. Malato-Beliz, muitos outros botânicos percorreram e estudaram este território. Assim, nos séculos XVII e XVIII, Tournefort (HENRIQUES, 1890), Hoffmansegg & Link (PINTO DA SILVA, 1986) e Brotero (FERNANDES In PEIXOTO & al., 1985) exploravam estas superficies. Também WILLKOMM (1855, 1896), testemunha a sua presença, na primeira metade do século XIX, ao efectuar uma viagem ao sul de Espanha e de Portugal, percorrendo estes territórios (FERNANDES, op. cit.). No mesmo século, MACHADO (1925-1933) assinala a presença, na área estudada, dos botânicos Welwitsch, G. Sampaio, Molier e Luisier. BARROS GOMES (1878) publica a Carta Xylographica de Portugal. Ainda neste século, e com o objectivo de herborizar espécies para a nova Flora de Portugal, percorreram também estas superficies o conde de Ficalho (DAVEAU,1897, 1898), e Pereira Coutinho, entre muitos outros. Já no século XX, foram numerosos os botânicos que herborizaram em territórios algarvios. Apenas a título elucidativo, e baseando-nos somente no trabalho de VASCONCELLOS & FRANCO (1954), citam-se alguns dos mais destacados, como Bento-Rainha, Fontes, Franco, Guimarães, Mendonça, Myre, Pinto Da Silva, Vasconcellos, entre outros. Como corolário da passagem de ilustres botânicos e outros especialistas na área da ecologia, na qual se destacam os fitossociólogos, referem-se alguns dos inúmeros trabalhos sobre flora e vegetação que incluem directa ou indirectamente áreas do Barrocal. Assim, destacamos: HENRIQUES (1905),CHODAT (1909). LAUTENSACH (1932), GAUSSEN (1940) VASCONCELLOS (1929, 1943), ROTHMALER (1943), MYRE & PINTO DA SILVA (1949), FEIO (1949, 1951), PIRES (1949, 1952), VASCONCELLOS & FRANCO (1954) BRAUN-BLANQUET & al. (1964), RIVAS GODAY & RIVASMARTíNEZ (1967); RIVAS-MARTÍNEZ(1 974, 1978, 1979, 1981), RIVAS-MARTÍNEZ & RIVAS GODAY (1976), SAUVAGE, C. (1978), MALATO-BELIZ (1978, 1982, 1988), FEIO & ALMEIDA (1980), FRANCO & al. (1980, 1982) JONES (1980), RIBEIRO (1980), LEAL DE OLIVEIRA (1980), LEAL DE OLIVEIRA & al. (1984), SERGIO & al. (1984), DUARTE & al. (1984), FERNANDES-CASAS, (1985), LOUSÃ.(1985), ESPÍRITO-SANTO (1988, 1989); RIVAS-MARTÍNEZ & al. (1990), COSTA (1991), ESPIRITO-SANTO & al. (1992, 1992a), LOUSÃ & ai. (1987, 1989). Apesar dos estudos já realizados, e dada a grande diversidade fitocenótica e paisagística, de singular beleza, ainda é possível dar a conhecer novos aspectos florísticos e fitossociológicos, indispensáveis para o ordenamento do território e conservação da Natureza que, em trabalhos anteriores, não foram objecto de tratamento. Efectivamente, a paisagem do Barrocal apresenta uma grande diversidade paisagística, onde as encostas se sucedem em "bandas" paralelas, do Litoral para a Serra, mais ou menos revestidas por bosques fragmentários de azinhais, carvalhais e suas etapas de substituição (medronhais, carrascais, sargaçais, tojais e tomilhais), que alternam com campos cultivados de alfarrobeiras e amendoeiras, intercaladas, nos pontos de menor altitude, por cursos de água, frequentemente orlados de vegetação ribeirinha (freixiais, salgueirais, tamargais, loendrais e canaviais) e, nos pontos culminantes, por penhascos e escarpas rochosas, dominadas por zimbrais, sobretudo na parte mais setentrional. Embora a vegetação natural, devidamente adaptada às condições ambientais vigentes, encerre um elevado interesse científico, na actualidade espelha bem os efeitos de uma secular e intensa actividade humana nestas superficies. A existência de extensas manchas de tomilhais, xarais, tojais e carrascais denuncia as perturbações constantes que este território tem sofrido, normalmente através de lavouras, de cortes sistemáticos de matos e até do fogo e, mais recentemente, da urbanização desenfreada, legal e ilegal, sobretudo nos cerros mais próximos do mar e nas envolvências de aglomerados populacionais (v. g. a cidade de Loulé). Efectivamente este cenário faz lembrar uma plantação de betão, destruindo habitas e espécies, raras e endémicas, ameaçadas de extinção que, em boa hora, a Comunidade Europeia, através da Directiva 92/43/CEE, considerou de interesse comunitário, cuja conservação exige a designação de Zonas Especiais de Conservação (ZEC). Todavia, existem, ainda, alguns recantos, menos acessíveis à actividade humana, onde é possível encontrar testemunhos das formações climácicas de outrora, que urge preservar. Por outro lado, o "abandono" da actividade agrícola e da produção de cal tem permitido à "Mãe Natureza", através da dinâmica vegetal, reconstruir as distintas etapas seriais da vegetação potencial que urge gerir de modo a conservar e valorizar. Perante tal cenário, é necessário conhecer, de forma mais profunda, o Barrocal, disponibilizando toda a informação sobre as espécies e habitais de maior interesse científico que ocorrem nesta região. Neste sentido, para melhor compreendermos o coberto vegetal, e antes de entrar propriamente no tema central, o capítulo I trata, ainda que sucintamente, dos aspectos biofisicos mais determinantes (Geografia, Geologia e Geomorfologia, Pedologia, Bioclimatologia e Biogeografia) e apresenta uma breve resenha histórica da acção antrópica deste território, destacando alguns dos acontecimentos que ao longo do tempo maior influência exerceram nas características e traços da paisagem actual do Barrocal. Como o conhecimento da flora é imprescindível para o estudo da vegetação, apresentamos, no capítulo II um catálogo florístico, ordenado alfabeticamente, através dos géneros, com indicações sobre a ecologia, frequência, fitogeografia, fitossociologia, entre outros. A fim de destacara peculiaridade da flora existente, tecem-se umas breves considerações sobre a flora local, dando particular destaque às espécies novas para Portugal e para a região, bem como aos taxa raros e endémicos. Uma vez conhecida a flora, dedica-se o capítulo III à descrição e análise da vegetação, seguindo o método da escola sigmatista (de SIGMA: Station International de Géobotanique Méditerranéene et Alpine), descrevem-se as principais comunidades vegetais detectadas, seu comportamento ecológico e dinâmico, acompanhadas de quadros de inventários fitossociológicos. Ainda no capítulo III, delineia-se uma abordagem às séries de vegetação, presentes no território estudado, por se haver considerado indispensável e de extrema importância para reconhecer e diagnosticar o estado da vegetação, a fim de contribuir de forma significativa para a gestão e conservação das comunidades vegetais de maior interesse científico, através da utilização de técnicas de fitossociologia integrada. Para um melhor conhecimento do território, apresenta-se no capítulo IV a cartografia, à escala 1:100 000, da vegetação actual e potencial, bem como dos habitais do anexo I e das espécies do anexo II da Directiva 92/43/CEE, vulgarmente conhecida por "REDE NATURA 2000". Por último, no capítulo V, indicam-se os sítios com maior interesse científico, na área estudada, sendo apontadas algumas medidas fundamentais para a sua gestão e conservação, bem como denunciadas as principais ameaças à flora e vegetação, tendo sempre em vista o Ordenamento do território e a conservação da Natureza.

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