Os terminais da identidade

dc.contributor.authorMartins, José
dc.contributor.editorBorges-Duarte, Irene
dc.contributor.editorMilhano, Ângelo
dc.date.accessioned2026-02-05T15:38:14Z
dc.date.available2026-02-05T15:38:14Z
dc.date.issued2025
dc.description.abstractPropomos reler Blade Runner sobrepondo, àquela que Žižek formula, uma nova e mais primordial paralaxe, a da diferença ontológica. Se a angústia da identidade ôntica – quando suspeito de que ‘quem sou’ não coincide com ‘o que sou’ – deve ser apaziguada por uma identificação com essa mesma fractura insanável que me constitui como ‘diferença ôntica’, entretanto, a minha identidade ontológica (não enquanto ‘humano’, mas enquanto Dasein) é ou faz-se com mais do que com essa diferença ôntica, endógena ao próprio cogito originariamente fendido (em que uma mesma ipseidade fenomenológica de consciência pode corresponder à identidade de dois tipos de ‘terminal’ distintos mas indiscerníveis, o cerebral e o computacional): é uma identificação, já não (I) com os terminais da identidade (terminal neural = ‘afinal’ sou humano / terminal cibernético = ‘afinal’ sou replicante), nem sequer (II) com a condição de terminalidade da própria metafísica da ‘identidade’ (que Žižek partilha com Bukatman e com Scott), mas (III) com uma terminalidade outra, a própria condição ontológica do ser-para-a-morte. E essa idêntica diferença ontológica (o ‘não-ser’ intrínseco ao ‘ser’ de todo e qualquer ‘sou’) identifica mais cedo e mais fundo humanos e replicantes entre si e uns com os outros, porque na raiz originária de ambos, do que as suas díspares identidades ônticas os diferenciam. Roy Batty só iguala a sua vida à dos humanos porque, antes disso, o seu querer-viver é o de um ser-para-a-morte. Nesse ‘para’ se concentra toda a pungência ontológica da morte e toda a dramática e a narratividade de Blade Runner. Quer dizer, tudo o que nele é filosofia e tudo o que nele é cinema: tudo o que nele é imagem, nome e lugar dessa nova e terceira Diferença, que também neste ensaio se debate re-tomando a fundo o sentido de uma ‘filosofia do cinema’. O verdadeiro teste de Turing não é o de Voight-Kampff, mas o de Sein und Zeit: que importa o que / quem sou, e a sua difracção enganadora, se o ser desse sou é (para) o nada – e se a difracção abissal desse ‘para’ é a tensão absoluta daquilo a que chamamos uma vida? E se todos somos Roy Batty no telhado nocturno, sem sequelas.por
dc.identifier.authoremailjmbm@uevora.pt
dc.identifier.citationMARTINS, José. “Os terminais da identidade”, in Blade Runner. O cinema como fenomenologia, Lisboa, Documenta, 2025, pp. 113-167.por
dc.identifier.isbn978-989-568-116-7
dc.identifier.scientificarea321por
dc.identifier.urihttp://hdl.handle.net/10174/40873
dc.language.isoporpor
dc.publisherDocumentapor
dc.rightsopenAccesspor
dc.subjectdiferença ontológicapor
dc.subjectDescartes/Deckardpor
dc.subjectética terminalpor
dc.subjectser-para-a-mortepor
dc.subjectparalaxepor
dc.titleOs terminais da identidadepor
dc.typebookPartpor

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