Processo de colonização de macroinvertebrados, após várias enxurradas de efeitos catastróficos, num rio temporário meditterânico (Rio Degebe, Bacia hidrográfica do Guadiana)

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Universidade de Évora

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Com este trabalho pretendeu-se estudar o processo de colonização da comunidade de macroinvertebrados, após várias enxurradas de efeitos catastróficos num rio temporário de caracteristicas mediterrânicas (Rio Degebe, Bacia Hidrográfica do Guadiana). Definiram-se três locais que foram amostrados logo após um período, no Inverno (Outubro de 1995 a Fevereiro de 1996), caracterizado pela ocorrência de várias enxurradas de efeitos catastróficos. A amostragem decorreu durante noventa e três dias, tendo-se utilizado uma rede de mão como método de captura. A caracterização fisico-química da água foi feita com base nas seguintes variáveis abióticas: Velocidade da Corrente, Temperatura, Oxigénio Dissolvido, Potencial Redox e Condutividade. Procedeu-se à análise dos parâmetros fisico-químicos e da diversidade, como forma de verificar as repercussões que as alterações ambientais decorrentes das enxurradas, tiveram na estrutura das comunidades. Observou-se que a riqueza taxonómica e a abundância sofreram reduções significativas após fenómenos de enxurrada, no entanto evidenciaram uma tendência crescente ao longo do trabalho. A diversidade e a equitabilidade evoluíram de uma forma descontinua ao longo do período estudado, não mostrando tendência para uma estabilização das comunidades. Verificou-se assim, uma baixa resistência (observando-se uma diminuição imediata do número de indivíduos com o aumento de caudal), mas uma elevada resiliência (o número de indivíduos aumentou logo após uma ligeira estabilização do sistema) das comunidades de macroinvertebrados às enxurradas. A análise taxonómica da comunidade evidenciou uma resiliência diferenciada por grupo. Chironomidae foi o grupo que evidenciou maior resiliência. Estudou-se ainda as alterações na estrutura trófica das comunidades, tendo-se verificado que após enxurradas os colectores filtradores tendem a aumentar a sua proporção relativa (Simuliidae surgiram como os principais contribuintes, neste grupo trófico), seguidos pelos fitófagos (maioritariamente constituídos por Orthocladinae, taxa que evidenciou maior resiliência). Detritivoros e predadores constituíram uma ínfima parcela das comunidades de macroinvertebrados amostradas.

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