Tuberculose Bovina no Alentejo Estudo Epidemiológico de uma Zoonose Emergente
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A erradicação da tuberculose humana é uma prioridade das autoridades sanitárias a nível mundial, não só pelo aumento do número de casos, agravados por situações de imunossupressão, como pelo aparecimento de estirpes resistentes aos antibióticos, que tornam o quadro bem mais dramático.
Nos animais, a evolução arrastada, com sintomatologia pouco expressiva e a enorme capacidade de sobrevivência da bactéria (devido aos lipopolissacarídeos complexos e às longas cadeias de ácido tuberculo-esteárico e micólico presentes na parede celular), tornam bastante difícil a erradicação da doença e agravam os elevados prejuízos económicos decorrentes da impossibilidade de comercialização e de reposição dos animais, não possibilitando o melhoramento genético.
Os factores de risco que condicionam a persistência da infecção nas explorações pecuárias no continente Português, não foram ainda determinadas. A intensificação da criação de espécies silváticas, tais como cervídeos e o aumento da população de javalis em regiões como o Alentejo, colocam-nos a questão do possível papel epidemiológico dessas espécies na manutenção da tuberculose na espécie bovina. Por outro lado, o aparecimento de bovinos falsos negativos à prova de tuberculinização (animais não reagentes que exibem lesões de tuberculose no matadouro), tem aumentado nos últimos anos.
É também importante avaliar novos métodos de diagnóstico, comparando a sua eficácia com os testes convencionais, bem como fazer a avaliação do impacto zoonótico nos grupos de
risco (população que contacta directamente com os animais das explorações pecuárias onde tenham sido confirmados casos de tuberculose em bovinos.