“Votre Faust, de Henry Pousseur, e a polémica com Luciano Berio (I e II)”

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RDP - Antena2

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Henri Pousseur, compositor belga da geração de Darmstadt: 1929-2009. De Henri Pousseur abordaremos o magnum opus: a ópera Votre Faust, cuja composição atravessa praticamente a década de sessenta do século XX. Escrita em colaboração com o escritor francês Michel Butor, Votre Faust teve a sua estreia em Milão, no Piccola Scala, em Janeiro de 1969. Foi uma estreia-naufrágio que traçaria da ópera o destino de uma obra maldita. Henri Pousseur e Michel Butor: o Vosso Fausto, uma “Fantasia variável género ópera” (nas próprias palavras do compositor). Estreada em Milão, no Piccola Scala, em Janeiro de 1969, as suas representações consagraram uma estreia-naufrágio que traçaria doravante o destino da ópera como uma obra maldita. As poucas produções que dela se fizeram revelam a dificuldade da obra, cuja representação se situa algures entre ópera e teatro, e cuja estética se perde (paradigma do pós-modernismo) entre tantas citações, colagens e referências. Grande amigo de Pousseur, companheiro de estrada e franco admirador da sua obra, Luciano Berio não resistiu, porém, a escrever um inflamado artigo que procurava compreender as razões do descalabro. Na sua análise culpa Michel Butor, o voluntarioso libretista, de uma escrita sobre-abundante, de uma omnipresença da palavra ao longo da obra. E não apenas omnipresença da palavra, mas da palavra mais insignificante, do mais superficial tratamento literário do mito de Fausto. Segundo Berio, Butor é a própria razão do naufrágio. A história deste Fausto conta-se em poucas palavras. Como em Thomas Mann, Fausto incarna aqui a figura de um compositor. Chama-se Henri, e leva a sua vida como professor e conferencista, apenas compondo no pouco tempo que lhe sobra. Um dia, no final de uma apresentação pública, é visitado por um director artístico que lhe oferece a possibilidade de criar uma ópera no tempo e nas condições que desejar; deixa-lhe apenas uma condição: o tema da ópera tem de ser o mito de Fausto. O compositor aceita e, como um diabo omnipresente, o director artístico (Mondor) persegue o compositor vigiando todos os passos da sua vida e acompanhando a escrita da obra. Pelo meio, há uma Margarida (estou a pensar em Goethe). Esta personagem feminina, aqui chamada Maggy, é uma simples namorada de Henri a quem Mondor tenta impedir o acesso ao compositor, por temer que o amor o distraia e a obra não avance. Por fim caberá ao público decidir o desenlace desta história de amor.

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