Observação dos processos diagenéticos em dentes de saurópodes: métodos geoquímicos que aperfeiçoam estudos isotópicos em Paleontologia

Abstract

A ciência encontra-se atualmente, numa fase de forte evolução e expansão. Isto muito devido ao desenvolvimento exponencial das tecnologias e da explosão de conhecimento e à facilidade na partilha de informação à escala global. A Paleontologia não é exceção e, desde o século passado que têm vindo a mostrar uma forte ligação multidisciplinar com outras áreas científicas, com as quais prosperam cada vez mais, como é o caso da Geoquímica (Stephenson, 1985). Neste trabalho é apresentado um estudo geoquímico detalhado, com recurso a tecnologias laboratoriais de elevada precisão, aplicado à Paleontologia. Este trabalho, focou-se em dentes de saurópodes, recolhidos em formações do Jurássico superior da Bacia Lusitaniana. Estes espécimes provêm, mais especificamente, de sectores centrais da Bacia Lusitaniana, nomeadamente das zonas de Torres Vedras – Lourinhã – Peniche – Foz do Arelho. O enchimento sedimentar destes sectores basinais é caracterizado, sobretudo, por sequências calcárias e margosas depositadas em ambientes marinhos, no Jurássico Inferior e Médio, e que evoluem para formações mais detríticas no Jurássico Superior (Kullberg et al., 2006); esta evolução traduz a evolução do quadro paleogeográfico regional, de um ambiente de deposição marinha para um ambiente lacustre/fluvial (Alves et al., 2002). Os saurópodes contam com uma representação bastante significativa em Portugal (Mocho et al., 2011), com ocorrências fósseis em formações geológicas de Alcobaça e Bombarral, da Praia da Amoreira-Porto Novo e nos membros do Sobral e Freixial. Em Portugal conhecem-se, até ao momento, cinco espécies de saurópodes portugueses: o turiassaurídeo Zby atlanticus, Mateus et al., 2014; o camarassaurídeo macronário basal Lourinhasaurus alenquerensis, Lapparent & Zbyszewski, 1957; os titanosauriformes Lusotitan atalaiensis, Lapparent & Zbyszewski, 1957 e Oceanotitan dantasi, Mocho et al., 2019; e por fim o diplodocídeo Dinheirosaurus lourinhanensis Bonaparte & Mateus, 1999. O estudo geoquímico incidiu nos quatro grupos, por forma a se verificar possíveis transversalidades entre espécies, tendo como objetivo final verificar a existência de uma assinatura geoquímica característica do ambiente em que os exemplares viveram, ou das transformações pós deposicionais, ocorridas durante a diagénese. Foram realizadas análises de difração de raios-X, onde foi observado que a mineralogia dos dentes é dominada pela hidroxilapatite. A fluorescência de raios- X confirmou que os dentes são compostos essencialmente por Ca e P em termos de elementos maiores, revelando também a presença de elementos menores como o Fe, Mg, Mn, Al e K, muito provavelmente por influência da presença residual de sedimento hospedeiro.

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