Programa e Resumos Programme and Abstracts - XIV Encontro de Investigação em Música - ENIM 2025

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SPIM - Sociedade Portuguesa de Investigação em Música

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O tom comemorativo do hino enquanto género musical consolidou, por inerência, a sua identidade, tendo sido uma constante ao longo da respectiva história. No quadro da agitação liberal oitocentista, este género viria a tornar-se o veículo emotivo e ideologicamente comprometido da celebração de muitos eventos revolucionários, políticos e patrióticos. Em particular, na derradeira década do século XIX, no auge do Nacionalismo e Imperialismo Ultramarino que então se viveu em Portugal, surgem uma série de hinos político-patrióticos e marchas militares, comemorativos, ora da Expedição Militar a Moçambique de 1895, impulsionada por António Enes, ora comemorativos de centenários e figuras históricas, ora de exaltação patriótica e sobressalto cívico, neste último grupo destacando-se A Portuguesa de Alfredo Keil, hoje o Hino Nacional. Tendo por base os levantamentos de repertório militar que Pedro Marquês de Sousa realizou, a presente comunicação parte de uma seleção de peças circunscritas a esse período histórico, que permitem alargar os nossos horizontes no domínio da música militar nacionalista e imperialista que viria a caracterizar as paisagens sonoras no contexto dessa circunstância histórica. Desde a comemoração do Centenário do Infante D. Henrique, passando pelo 4º Centenário do Descobrimento da Índia até à evocação da figura de Roberto Ivens, este conjunto de obras traz também à ribalta A Portuguesa e a Marcha do Ódio, esta última sobre o poema de Guerra Junqueiro. Atendendo ao facto da seleção de obras que realizámos se constituir como a reação inflamada à humilhação sofrida com o Ultimato Britânico de 1890, a presente comunicação irá proceder ao seu devido enquadramento, numa perspectiva crítica da narrativa histórica de outrora, em prol da sua actualização e de uma revisão de conceitos não só musicais, como também políticos, culturais e histórico-militares, à luz dos princípios da historiografia actual. Nomes como os de Alfredo Keil, Gomes Leal, Lopes de Mendonça, Augusto Machado e Guerra Junqueiro serão assim aqui evocados e devidamente contextualizados. O método e os objectivos do trabalho assentam na análise, não só musical, como também poética e histórico-militar de sete hinos selecionados a partir da obra Hinos patrióticos e militares portugueses de Soares, Sousa e Costa. Por conseguinte, o objectivo da presente comunicação assenta na necessidade de se estabelecer, pela primeira vez, a relação das peças transcritas na referida obra com as suas circunstâncias histórico-militares, em prol da construção da respectiva narrativa histórica.

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Imperialismo e Nacionalismo - Os hinos patrióticos portugueses da derradeira década de oitocentos

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