"O espaço da arquitetura. Quanto espaço, que espaço?"
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Reflectir sobre espaço, em arquitectura, é colocarmo-nos frente à vertigem das origens da disciplina, e do seu próprio sentido.
O termo é abrangente o suficiente, e maleável, para se lhe ver associado um amplo espectro de significados que nos habituámos a considerar análogos: espaço é igual a lugar; a sítio; a vazio.
A reflexão que interessará neste volume, mais do que elucubração terminológica ou deriva abstracta, será aquela que nos conduza ao caminho que permite relacionar, de maneira concreta, a noção de espaço com as formas do seu uso – afinal, compreender como a ideia de vida lhe é intrínseca, como se encontra implicada, nessa mesma noção. No fundo, o que significa “construir” espaço.
Tendo como base de enquadramento os domínios da arquitectura e do território, colocam-se questões diferentes, suficientemente próximas porém para que sejam tomadas neste texto sobretudo pelas afinidades entre campos, mais do que pelas diferenças. Inevitavelmente ter-se-á presente o princípio de relação activa e implicada contida na noção de que entre o espaço confinado arquitectónico e o espaço “aberto” do território, o sentido se encontra (ou se procura) no modo como se constroem, articulando e complementando-se em diferentes escalas: de análise e de intervenção.A ideia de espaço próximo e íntimo, e privado, por oposição à de espaço aberto e comum (ou público) radica na mesma procura de sentido sobre o mundo, na relação do indivíduo consigo próprio e, simultaneamente, com os outros. É, afinal, esta a história das utopias urbanas e, antes ainda, a das ideias seminais dos modelos socialistas, desenvolvidas a partir do reconhecimento do homem como indivíduo.
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SOARES, João, "O espaço da arquitetura. Quanto espaço, que espaço?", in "Espaço ? Perspectivas Multidisciplinares sobre a Construção dos Territórios". Coords. MANUEL SERRANO, Maria; NETO, Paulo