O espaço e a química

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Edições Sílabo

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Qualquer tentativa para falar de espaço em química pode parecer uma incursão desnecessária em conceitos de física ou de arquitetura. Que dizer então de território, onde áreas como a biologia ou a sociologia levam a melhor. Porém, o reconhecimento da importância que as considerações espaciais têm em química facilita a sinergia entre esta e outras áreas do conhecimento. A química desenvolve-se num espaço tridimensional, o que faz da geometria e do volume partes integrantes desta disciplina. Considerações sobre o espaço são, de facto, fundamentais, sendo usadas em modelos estruturais que permitem prever a geometria de moléculas, no estudo do empacotamento cristalino observado nos minerais que ocorrem na natureza ou nos materiais produzidos em laboratório, na ação das enzimas que atuam nos seres vivos, para referir apenas alguns casos. É no espaço tridimensional que as moléculas estão orientadas e no caso dos enantiómeros, não se sobrepõem, embora sejam constituídos pelos mesmos elementos químicos, na mesma proporção e com a mesma sequência de ligação, o que pode ter consequências profundamente perturbantes nos seus efeitos. Por outro lado, na área dos nanomateriais, o químico converte-se num criador-desenhador de espaços, preparando famílias extraordinárias de materiais com cavidades ou unidades de construção de materiais ocos de maiores dimensões, a escalas notáveis, com potencialidades para além da imaginação. De facto, o espaço é um tema fundamental em química!

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Teresa Ferreira, O Espaço e a Química in Espaço. Perspetivas Multidisciplinares sobre a Construção dos Territórios. Maria Manuel Serrano & Paulo Neto (Org.), Ed. Sílabo, 2013.

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