Os ("meus") antigos cinemas de Lisboa

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O tempo não pára e tem sido impiedoso com os antigos cinemas de Lisboa. A memória de um passado glorioso foi substituída pela pequenez do presente, num futuro que, cada vez mais, parece incerto. Ir ao cinema é, em 2020, algo de profundamente diferente quando comparado com o início dos anos 80 do século passado. Quase tudo mudou. Com exceção de algumas salas que ainda continuam em atividade, a grande maioria viu o seu espaço transformado para outros fins, que nada têm a ver com a sua função inicial (bancos, supermercados, lojas de roupa, locais de culto, etc.), ou encontram-se abandonadas, quantas vezes em ruínas. De facto, na atualidade, o cinema é quase exclusivamente disponibilizado ao público em grandes superfícies comerciais, nas salas de cinema multiplex - os cinemas com mais de uma sala - que chegaram em força com os shoppings ou centros comerciais, à semelhança de qualquer outro produto de consumo disponibilizado nos mesmos. Este fenómeno, verificado a partir do começo da década de 80 do século XX, ajuda a explicar o acelerado desaparecimento das salas clássicas, de rua, onde apenas se vai, ou ia, ao cinema, já que, por regra, hoje as pessoas não saem de casa apenas por essa razão. Na verdade, quase parece que agora se vai ao cinema depois das compras e do jantar, mas sempre, ou quase, em grandes centros comerciais, verdadeiras “cidades dentro da cidade”, considerando os serviços e espaços de lazer que agregam, a que se juntam as facilidades de estacionamento.

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BATISTA, Paulo - Os ("meus") antigos cinemas de Lisboa. BICA. Nº 11 (janeiro-março 2020), p. 118-136. Viseu: Studiobox.

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