O repertório de alergénios do ácaro Dermatophagoides pteronyssinus para o cão - Sensibilização a quê? Imunoterapia (específica) para o quê?

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Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica

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Em medicina veterinária a imunoterapia específica tem-se revelado muito útil para controlo da alergia, com taxas de sucesso para o cão, de 65-70%. Porém, a sua eficácia poderá melhorar com o conhecimento dos alergogramas individuais e a escolha do mais adequado pool de alergénios para imunoterapia. Esse conceito de epidemiologia molecular, ao permitir interpretar fenómenos de reatividade cruzada entre espécies, conduzindo a um diagnóstico molecular mais explícito, poderá permitir importantes inovações em termos de opções imunoterápicas dirigidas, com ganho de eficácia. Para esse efeito é necessário identificar os repertórios alergénicos mais relevantes, o que aqui se objectiva para o ácaro Dermatophagoides pteronyssinus (Der p). Da consulta externa de dermatologia e alergia dos Hospitais Veterinários da Universidade de Évora e da Fundação Rof Codina (Lugo, Espanha) selecionaram-se 20 cães, maioritariamente indoor e com sintomatologia perenal, alérgicos aos ácaros e sensibilizados a Der p, por testes intradérmicos (Bial Aristegi, Bilbao, Espanha) e doseamento das IgE específicas (Univet, Barcelona, Espanha). Preparou-se o extracto solúvel de Der p (Allergon, Angelholm, Suécia) em água bi-destilada. A separação proteica foi realizada por isoeletrofocalização (IEF) em gradiente de pH 4-6,5 e por SDS PAGE a 12%, uni- (1D) e bidimensional (2D). As proteínas separadas foram transferidas para membranas de PVDF, sobre as quais se realizaram os imunoblots, tendo as IgE específicas séricas sido reveladas por anti-IgE canina policlonal conjugada com peroxidade e monoclonal conjugada com biotina. Da IEF identificaram-se 11 alergénios (pI 5,4, 5,5, 5,6, 5,7, 5,9, 6,2, 6,3, 6,5, 6,6, 6,7 e 6,8), bem como da SDS PAGE 1D (PM 13,5, 23,5, 28,5, 32,5, 35,5, 37, 47,5, 58, 70, 110 e 210-220 kDa), 6 dos quais major. A maioria dos indivíduos apresentou espetrotipos complexos. Da SDS PAGE 2D identificaram-se 24 regiões/spots alergénicas, de pI <4,6 a >6,9 e de PM 13,5 a 210-220 kDa. Várias semelhanças foram observadas entre os alergogramas canino e humano. Após imunoterapia clinicamente bem sucedida um indivíduo complexou o espetrotiposugerindo ausência de correlação absoluta entre sensibilização e alergia. A identificação e caraterização de alergomas de fontes alergénicas relevantes para o cão prosseguirá com o aumento da amostra, para identificar padrões de resposta à imunoterapia, nomeadamente associados a reatividade cruzada e que podem condicionar a sua eficácia.

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Martins L, Marques A, Pereira L, Goicoa A, Semião-Santos S, Bento O. 2012. O repertório de alergénios do ácaro Dermatophagoides pteronyssinus para o cão - Sensibilização a quê? Imunoterapia (específica) para o quê? Proceedings of the XXXIII Anual Meeting of the Portuguese Society for Allergology and Clinical Immunology. P23:20. Revista Portuguesa de Imunoalergologia. 2012 20(1):43-4. (http://spaic2012.congressos.eu/pt/pagina/8/download-do-programa/)

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