José Pinto de Azeredo

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Academia das Ciências de Lisboa

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O caso dos Azeredos ilustra as dificuldades típicas de mobilidade social na sociedade portuguesa do final do Antigo Regime. O pai ascendeu a cirurgião-mor no 1.º Regimento de Infantaria do Rio de Janeiro, atingindo o máximo a que conseguia aspirar. Desprezada pelo meio médico, que considerava a cirurgia uma profissão mecânica, a posição permitia-lhe, contudo, expandir a sua autoridade e obter maiores benefícios económicos. Ambicionou para os filhos o patamar seguinte, o de médico, no entanto, talvez devido à duração do curso em Portugal, possivelmente o mais longo da Europa, preferiu enviá-los para o estrangeiro. Graduado num tempo que, usualmente, era tomado pelos cursos preparatórios para a Faculdade de Medicina em Coimbra, José Azeredo teve de enfrentar os constrangimentos de uma sociedade pouco recetiva à mudança. Se bem que a acreditação do curso lhe conferisse o direito de exercer sem restrições, na prática quotidiana a situação diferia significativamente: o diploma do Protomedicato era visto com estigma e, desde o século XVII, os médicos formados em Coimbra tinham prioridade no acesso aos empregos disponíveis. O facto de se distinguir por ser o primeiro médico formado no exterior a desempenhar uma função de chefia no império apenas significava que a coroa estava a ter mais dificuldades que as habituais para preencher aqueles lugares, tendo aceitado a sua proposta para o ocupar.

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Abreu, Laurinda, "José Pinto de Azeredo", Dicionário Histórico-Biográfico da Academia das Ciências de Lisboa, 2024.

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