Avaliação Interdisciplinar no âmbito da Autonomia e Flexibilidade Curricular - Mito ou Realidade?

Abstract

A educação está a mudar e as escolas estão a adaptar-se ao novo paradigma previsto na atual legislação, que é complementada pelo Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória (Martins et al., 2017), pelas Aprendizagens Essenciais e pelos novos currículos. Um dos aspetos mais importantes no processo de ensino e aprendizagem é a avaliação que também é um dos mais complexos dada a dificuldade em implementar uma via mais formativa, onde “o currículo e a avaliação deixam de ser vistos como processos separados e esta passa a estar ao serviço da aprendizagem dos alunos” (Cid & Fialho, 2011, p. 110). A mais recente redação legislativa recomenda que a educação traduza uma visão interdisciplinar do currículo e refere, também, a utilização sistemática da modalidade de avaliação formativa que, pelo caráter regulador, fomenta a melhoria das aprendizagens. Assim, ligando esses dois conceitos deparamo-nos com o que se pode designar por “avaliação interdisciplinar”. Se planificar e lecionar interdisciplinarmente não é fácil, avaliar de forma interdisciplinar também é complexo, pois “os critérios de avaliação são uma construção social que se baseia na análise cuidada de diferentes elementos do currículo (…) para o adequar ao (…) projeto educativo” (Fernandes, 2020, p. 13). Esta investigação de doutoramento fruto de uma inquietação pessoal, mas também da motivação dada pela vontade de tentar responder a questões colocadas pela generalidade dos docentes, procura saber como estão as escolas a avaliar as aprendizagens dos alunos em contextos de trabalho interdisciplinar. Pretende-se, assim, estudar quatro escolas com diferentes fases de integração na Autonomia e Flexibilidade Curricular, para tentar perceber se há trabalho interdisciplinar e como está a ser feita a avaliação pedagógica desse trabalho dos alunos. Para esta temática, de acordo com o objetivo da investigação, o paradigma escolhido é o interpretativo, a abordagem é qualitativa e a modalidade é a de estudos de caso múltiplos porque esta “permite compreender e contrastar muitos aspectos dos fenómenos” (Ponte, 2006, p.16). A interdisciplinaridade dá azo a trabalho colaborativo, isto é, “articulado e pensado em conjunto” (Roldão, 2007, p.27) e nesta investigação, que tem em comum, com outra tese do Programa de Doutoramento, a temática da colaboração docente, procurou-se algum isomorfismo de processos, desenvolvendo uma experiência de colaboração, concretizada em algumas das etapas do estudo.

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Citation

Zacarias, C., Fialho, I., & Cid, M. (2022). Avaliação Interdisciplinar no âmbito da Autonomia e Flexibilidade Curricular - Mito ou Realidade? In M. H. Araújo e Sá & L. Morgado (Orgs). Livro de Atas do V ENJIE: Investigação em Educação e Responsabilidade Social: vozes dos jovens investigadores (pp. 195-204). UA Editora. DOI: https://doi.org/10.48528/tr7a-j538

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