ESTUDO GEOLÓGICO E GEOQUÍMICO DAS SEQUÊNCIAS OFIOLÌTICAS DA ZONA DE OSSA-MORENA (PORTUGAL)

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Universidade de Évora

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As Sequências Ofiolíticas Internas correspondem a cinco fragmentos de crusta oceânica alóctones, próximos do limite SW da Zona de Ossa-Morena (Domínio de Évora-Beja), numa posição interna relativamente ao Complexo Ofiolítico de Beja-Acebuches. Ocorrem sob a forma de imbricações tectónicas ou “klippes”, no Complexo Filonítico de Moura e apresentam-se, regra geral, incompletas, por acção da deformação e recristalização metamórfica, nas fácies dos xistos verdes e anfibolítica. No seu conjunto, as Sequências Ofiolíticas Internas, definem uma estruturação interna idêntica à descrita para os ofiolitos, nomeadamente aos ofiolitos tipo LOT (“Lherzolitic Ophiolite Type”). Os dados geoquímicos revelam um quimismo toleítico heterogéneo, transicional entre dois membros finais, tipo N-MORB e E-MORB, resultante de heterogeneidades ao nível da fonte mantélica. As assinaturas geoquímicas mostram, de forma inequívoca, que os protólitos ígneos das Sequências Ofiolíticas Internas formaram-se num ambiente tectonomagmático anorogénico, ou seja, numa bacia oceânica, tipo oceano “aberto”, sem qualquer influência de componentes orogénicos resultante dos mecanismos de subducção. As características geoquímicas e a natureza dos protólitos das Sequências Ofiolíticas Internas contrastam, nitidamente, com o estabelecido para o Complexo Ofiolítico de Beja-Acebuches, onde são referidas assinaturas geoquímicas orogénicas, semelhantes às identificadas nas bacias “back-arc”. Os dados apresentados suportam o envolvimento de duas bacias oceânicas oceano “aberto” e bacia “back-arc”) durante a evolução geodinâmica do ramo SW da Cadeia Varisca Ibérica. A caracterização das Sequências Ofiolíticas Internas e o significado geodinâmico dos seus protólitos vêm colmatar a ausência, até à data, de magmatismo oceânico anorogénico no registo da Zona de Ossa-Morena, durante a Orogenia Varisca, complementando assim, em termos magmatogénicos, o ciclo de Wilson no ramo SW do Maciço Ibérico.

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