Novos riscos sociais, velhas discussões: caminhando para uma “democracia técnica” da avaliação e percepção do risco.
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Vários estudos (e.g. Slovic, 1987) mostram que os especialistas se baseiam por exemplo na consideração da probabilidade de ocorrência dum acontecimento e nas consequências associadas (e.g. número de fatalidades). As estimativas dos leigos, por sua vez, tendem a ser multidimensionais (Slovic, Fischoff & Lichenstein, 1980) e a enfatizar aspectos como por exemplo a incerteza acerca das consequências do risco (Frewer et al., 2003), o potencial catastrófico (Savadori et al., 2004) ou a forma negativa ou positiva como esse potencial risco nos faz sentir (heurística do afecto; Slovic, Finucane, Peters & MacGregor, 2007). Outros autores defendem que a conclusão de que os dois grupos avaliam o risco de forma diferente é ilusória. Por exemplo, os leigos conseguem estimar as mortes anuais e a frequência das suas causas (Slovic, 1987), assim como os especialistas não estão imunes a erros, quando são forçados a fazer avaliações para além da informação que têm (Slovic et al., 1980).
Efectivamente, estudos recentes mostram que não é o facto das novas tecnologias serem novas ou desconhecidas para os leigos que, por si só, faz com que sejam vistas como um risco. A diferença de percepções do risco depende também do tipo de acontecimento ou actividade considerada e do contexto social que envolve a análise desse risco (Gaspar, Carvalho, Soeiro & Palma-Oliveira, under review; Palma-Oliveira, Gaspar, Luís & Vieira, 2009; Savadori, 2004).
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Gaspar, Rui; Costa, Teresa; Palma-Oliveira, José Manuel. Novos riscos sociais, velhas discussões: caminhando para uma “democracia técnica” da avaliação e percepção do risco. , Segurança Comportamental, 4, 41-42, 2011.