Valorização agronómica de bagaço húmido compostado e não compostado – Impacto no desenvolvimento de Lolium perenne L.
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Abstract
Devido ao aumento de área de olival altamente produtivo e ao consequente aumento
da produção nacional de azeite, há uma quantidade crescente de resíduos orgânicos
provenientes desta agroindústria. A valorização desses resíduos por meio da aplicação ao solo
agrícola pode ser uma solução viável, contribuindo para manter ou restaurar a qualidade dos
solos, principalmente através do aumento da sua matéria orgânica. Este estudo, realizado no
âmbito do projeto PRR INOVCIRCOLIVE, teve como objetivo avaliar, em condições controladas,
os efeitos sobre o desenvolvimento de uma cultura teste (Lolium perenne L.) da aplicação de
bagaço proveniente de um lagar de duas fases, compostado (BC) e não compostado (B), este
último conservado durante 6 meses a 4ºC. Foram realizados dois ensaios em vasos, delineados
em blocos completos casualizados, utilizando dois tipos de solo com características distintas (um
Podzol e um Luvissolo). Até ao momento foram avaliadas questões como as quantidades a
aplicar, a possível presença de efeitos fitotóxicos e os impactos na produção de biomassa da
cultura teste. As quantidades testadas foram equivalentes a 0, 25, 50, 100 e 150 t ha-1 de B e de
BC. Em termos de produção de biomassa, os resultados mostraram um efeito determinante das
características físico-químicas do solo recetor, com produções que quase duplicaram no
primeiro corte com o solo mais fértil. Os resultados indicaram também que aplicações elevadas
(>50t ha-1), quer de B quer BC podem provocar uma redução na produção de azevém. No
entanto, esses efeitos dependerão do tipo e caraterísticas do solo em que a cultura está
instalada e variam também ao longo do desenvolvimento da cultura.