“Os Montes Alentejanos: uma sábia aliança com a Paisagem”

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Aparentemente silenciosos e solitários, à escala da extensa paisagem do Alentejo, os montes alentejanos materializam-se e distribuem-se precisamente, onde são essenciais ao pulsar da própria paisagem. Em lugares de assentamento sabiamente escolhidos, criam sítios de habitar, conservam-se e vão-se adaptando ciclicamente, às transformações sociais, políticas, económicas, que vão humanizando a estrutura biofísica onde nasceram. Testados ao longo da história pelas maiores adversidades – veja-se a temporalidade radical imposta pela Lei da Fome que recentemente arrasou a paisagem - os montes somam, permanentemente, novos significados e reforçam a estrutura da paisagem porque na sua plasticidade se metamorfoseiam, reorganizam e superam as expectativas de adaptabilidade – ecológicas, sociais, culturais. E é porque na sua essência gozam desse carácter evolutivo que são atemporais e perpetuam a memória e o desenho da paisagem. Porque estabelecem vínculos entre a memória e o lugar são, na história e na memória, no espaço e ao longo do tempo, instrumentos de conhecimento e comunicação entre os diferentes registos da paisagem. Os Montes Alentejanos, estabelecem num lugar real a ideia de paisagem numa multitemporalidade vernacular e única. E nessa sábia aliança em que guardam a paisagem, suportam e enriquecem a memória do Alentejo.

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