A Escrita Negra de Vergílio Ferreira

dc.contributor.authorLima, Maria Antónia
dc.contributor.editorGoulart, Rosa Maria
dc.date.accessioned2017-01-27T11:41:01Z
dc.date.available2017-01-27T11:41:01Z
dc.date.issued2016
dc.description.abstractA ESCRITA NEGRA de VERGÍLIO FERREIRA Maria Antónia Lima Universidade de Évora/ CEAUL Num tempo de crise existencial justificada pela permanente inquietação dos indivíduos perante um destino incerto, inseguro e imprevisível, gerador de constantes sintomas de desorientação e de vazio antropológico, surge decerto uma profunda identificação com a obra de Vergílio Ferreira, um autor que confessou não ter nascido para “escrever coisas alegres”, sendo o seu romance Para Sempre considerado um livro pessimista, negro e macabro. Títulos como Onde tudo foi morrendo revelam bem esta falta de vocação do autor para o optimismo literário, essencialmente resultante de Vergílio ter desde sempre sentido trazer dentro de si um “eu” que “é para morrer”, o que lhe concedeu profunda consciência do absurdo negro da existência e dessa “estúpida inverosimilhança da morte”. Daí que a sua análise da condição do homem em face do mistério da vida e da morte inevitavelmente se desenvolva através de uma escrita negra que recria a solidão cósmica com que grande parte dos seus duplos-narradores se debatem, partilhando uma visão negra também comum a muitos protagonistas do film noir americano alicerçado na ficção policial de autores como Dashiell Hammett, Raymond Chandler e James M. Cain. Como Vergílio, esta geração de escritores e realizadores, além de partilharem o mesmo interesse pela construção da narrativa cinematográfica e pela mútua contaminação entre literatura e cinema, buscavam a autenticidade das suas personagens através da construção de dramas inteligentes permeados de niilismo e fatalismo onde seres solitários e moralmente ambíguos deambulavam, revelando corrupções sociais e humanitárias tão comuns ao nosso tempo. Como Humphrey Bogart, um dos actores americanos mais conotados com o noir, qualquer personagem central de Vergílio Ferreira poderia muito bem ter concluído que “things are never so bad they can’t be made worse”.por
dc.identifier.authoremailmal@uevora.pt
dc.identifier.citationLima, Maria Antónia. "A Escrita Negra de Vergílio Ferreira". In "Vergílio Ferreira - Entre o Silêncio e a Palavra Total", Âncora Editora, Lisboa, 2016, pp. 227-234.por
dc.identifier.scientificarea296por
dc.identifier.urihttp://hdl.handle.net/10174/20103
dc.language.isoporpor
dc.publisherÂncora Editorapor
dc.rightsopenAccesspor
dc.subjectVergílio Ferreirapor
dc.subjectEscrita Negrapor
dc.titleA Escrita Negra de Vergílio Ferreirapor
dc.typebookPartpor
degois.publication.firstPage227por
degois.publication.lastPage234por
degois.publication.locationLisboapor
degois.publication.title"Vergílio Ferreira - Entre o Silêncio e a Palavra Total"por

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