Temporalidade e atemporalidade na experiência musical - A música como metáfora da existência humana

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Universidad de Sevilla

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Arte do tempo por excelência, a música faz sua a natureza do tempo. Aqui radica a proposta de que a explicação para o fascínio que ela exerce sobre nós, a chave para o entendimento da sua particular capacidade de co-mover-nos, se encontra na analogia que podemos estabelecer entre o nosso ser temporal e o ser temporal da música – da própria obra musical, que acontece, que em nós acontece, ao modo dos indivíduos que somos, isto é, como algo que subsiste num segmento de tempo. Feita de tempo, a música assume integralmente a sua caducidade: tal como ele, ela faz-se perdendo-se. Arte performativa, dela à primeira vista nada permanece depois de feita: também a obra musical não é um meio de vencer essa caducidade, pois a experienciamos apenas enquanto reconfigurada por uma interpretação. Ou será que a obra aponta já para algo de fundamental que na nossa existência pareça negar a fugacidade do tempo? Mas como pode a música reter essa outra dimensão do nosso modo de existir? Mercê de que mecanismo ela não morre completamente, para nós, após a sua execução? Em que consiste esse lastro que ela deixa em nós? Pela memória que dela permanece, pela mensagem que nos transmitiu? É mais fácil, certamente, descortinar como assume a música a noção de perda inerente à experiência do tempo do que aperceber como por ela somos impelidos para essa dimensão que designamos atemporalidade.

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