A "Arte de Grammatica da Lingoa mais vsada na costa do Brasil"

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Faculdade de Letras da Universidade do Porto

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A gramaticalização de línguas extra-europeias despertou e avançou por vários continentes ao ritmo da promoção dos vernáculos europeus, tendo sido os criadores de gramáticas vulgares também os primeiros a tributar acolhimento ao espaço linguístico extra-europeu. Num contexto em que se instalara a ideia de diversidade linguística, “pourquoi les européens auraient-ils eu l’idée de s’engager dans la tâche dificile de rédiger des grammaires de langues purement orales, s’ils ne l’avaient déjà eu pour leurs propes vernaculaires?” (Auroux, 1994: 98). Entre nós, Fernão de Oliveira e José de Anchieta, cada um à sua maneira, conferiram a outros idiomas, que não o latim, o status de línguas gramaticais. Na vizinha Espanha, a publicação da gramática de Antonio de Nebrija e a descoberta da América por parte de Cristóvão Colombo no mesmo ano de 1492, catalisaram a marcha acelerada da normatização linguística do novo mundo americano. Começa então a dinâmica de um processo linguístico que, protagonizado sobretudo por missionários jesuítas e franciscanos ao longo do século XVII, se eleva da consciência da diversidade linguística à defesa de idiomas exóticos até há pouco desconhecidos, e culmina com a sua disciplinização gramatical pelo modelo latino.

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A "Arte de Grammatica da Lingoa mais vsada na costa do Brasil", de José de Anchieta, no quadro da gramaticalização de vernáculos europeus. In: Estudos em Homenagem ao Professor Doutor Mário Vilela

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