Filosofar com o leão: infantes terríveis e filosofais
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No breve ensaio reflexivo que se apresenta, serão tomados como objecto e motor de comentário a curta-metragem de Straub/Huillet ‘En rachâchant’ (1982) e os episódios 1. (O sol através da chuva), 5. (Corvos) e 8. (A aldeia das azenhas) de ‘Sonhos’ (1990), de Akira Kurosawa.
O que significa afinal a palavra inexistente 'rachâcher' ? O filme de Danièle Huillet e Jean-Marie Straub nunca chega a esclarecê-lo como conteúdo verbal - porque o próprio filme é o seu acto. Onze anos depois da farsa miniatural que a Marguerite Duras escritora aditou em rescaldo ao Maio de 68, é todo o minifilme (de sete minutos, como a idade desta 'criança feita') que perpetra uma execução exemplar dessa actividade que o Menino designa 'rachâcher' . Abordaremos duas questões conexas (que talvez, acumuladas, se respondam entre si): é possível filosofar sem pôr diante de si o limite absoluto, ao qual chamamos - a morte; e, não o sendo, como introduzir essa finitude do horizonte numa filosofia para crianças, quer dizer, junto de crianças? Serão os adultos, saudosos e análogos, a fazer (tal como o próprio nome indica) a ‘filosofia para crianças’, sem que estas façam a delas, ou fá-la-ão ex abrupto as crianças elas mesmas, infantes filosóficos, ‘en rachâchant’?
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MARTINS, José, “Filosofar com o leão: infantes terríveis e filosofais”, in Filosofia e Crianças. Pressupostos e linhas de um curso, Évora, Aisthesis e Universidade de Évora, 2018, pp. 91-116