Das promessas (u) tópicas às (des) ilusões: daquilo que as experiências democráticas nos trazem para as pensarmos a partir dos seus dilemas e disputas
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Os ideais democráticos que alimentam a Democracia não encontram uma
garantia em si mesmos. Em contrapartida, estes são fruto de um processo
histórico longo e sinuoso. O regime democrático define-se a partir das confluências
tensas entre os eixos da liberdade e da igualdade, para além da sinuosidade
provocada pelos dilemas decorrentes das interconexões entre um e o
outro destes dois eixos. A historicidade destes ideais mostra-se complexa, se a
olharmos pelo óculo de uma Sociologia Política da fabricação do comum no plural
nas socialidades modernas, que se começa a alinhavar muito lentamente, na
Europa, entre os finais do século XVII e o início do século XVIII. Justamente
pelos impasses resultantes de uma convergência entre liberdade e igualdade,
que não tem sido realizada historicamente e, quando tal tem acontecido, as
experiências autárquicas mais tirânicas ou despóticas ocorrem com todos os
desmazelos autoritários conhecidos, armados pelo princípio da prudência, talvez
não seja despiciendo pensar-se que um dos princípios superiores comuns
da figura do justo no regime democrático tenha sido o eixo da fraternidade,
hoje entendido mais como o eixo das solidariedades cívicas.
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RESENDE, José Manuel; DELAUNAY, C. (Org.) . Das promessas (u) tópicas às (des) ilusões: daquilo que as experiências democráticas nos trazem para as pensarmos a partir dos seus dilemas e disputas. 1. ed. Carviçais: Editora Lema d?Origem, 2017.