A Terra bebe-se no vinho
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Câmara Municipal de Vila Viçosa
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A coisa não carece de grande revisão bibliográfica e muito menos de meritosa investigação, honrosamente reconhecida pelos seus pares, bem à moda da Academia. Basta ler o nosso reverente Orlando Ribeiro (in_Ribeiro & Launtensach, 2009) quando compara o minhoto com o alentejano e escreve: “para estes dois tipos de comportamento (minhoto e alentejano) contam sem dúvida as condições naturais”. A outra escala, o incontornável Tim Marshall em Prisioneiros da Geografia (2017, ed. portuguesa) afirma: “a terra em que vivemos sempre nos moldou... as decisões e os acontecimentos, os conflitos internacionais e as guerras civis, apenas podem ser compreendidos tendo em conta as esperanças, os medos e os preconceitos resultantes da História e como estes, por seu turno são determinados pelo ambiente físico – a geografia – em que os indivíduos, as sociedades e os países se desenvolveram.” Uma única pergunta nos basta: se é assim com os homens e com as sociedades como pode ser diferente com as cepas e, consequentemente, com o vinho? Não é. A Terra bebe-se no vinho. O vinho é, sobretudo, a rocha onde nascem e maturam as uvas. Para um bom vinho, diz quem sabe, o mais importante é a vinha, para a vinha, o mais importante é o lugar. O saber da geologia é uma parte fundamental da compreensão do “quê” e “porquê” do vinho. Há uma conexão perfeita.
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Cupeto, C.; Lopes, L. 2019. A Terra bebe-se no vinho. Callipole – Revista de Cultura n.º 26 – 2019, pp. 251-260. Vila Viçosa.