Auto do Velho da Horta: uma farsa para rir?
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Caleidoscópio
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Em 1512 Gil Vicente levou ao palco o seu Auto do Velho da Horta, anunciado como farsa na didascália inicial. O género e também o enredo aí resumido (os amores de um velho por uma moça, os enganos da alcoviteira) prefiguram uma peça cómica e prometem risos.
Revemos neste artigo alguns aspetos do cómico na peça, à luz da bibliografia e das diferentes leituras de que foi objeto. Julgamos que persistem interrogações pertinentes sobre a prevalência, ou não, da dimensão lúdica da peça, veículo facilitador da ação moralizadora que se pretendia exercer no espaço da corte, e sobre uma matriz mais universalista que lhe está subjacente na abordagem de tópicos literários como o do mundo às avessas ou o da loucura amorosa.
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Esteves, Elisa Nunes, "Auto do Velho da Horta: uma farsa para rir?" in Esteves, Elisa N., Dias, Isabel B., Reffóios, Margarida, O Riso. Teorizações. Leituras. Realizações. Lisboa, Caleidoscópio, 2015, pp.95-100.