“Alimentar” o auto-da-fé: uma incursão pelos gastos do principal cerimonial da Inquisição portuguesa no século XVIII

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Imprensa da Universidade de Coimbra

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O auto-da-fé, consumido como um espectáculo pelos coevos, era o expoente máximo da expressão do poder inquisitorial. Era durante a sua realização que a actividade do Santo Ofício se tornava pública. Após muitos meses – por vezes, até anos – em que o réu tinha estado encarcerado, finalmente, prestava-se contas, junto da população, para parafrasear Francisco Bethencourt. Quebrava-se, deste modo, o silêncio que era um dos pilares da existência do Tribunal da Fé. Neste trabalho, pretende-se analisar a estrutura dos gastos do auto-da-fé, o que permitirá contextualizar os custos com a alimentação (jantar da véspera ou almoço/jantar do dia da realização do cerimonial). Tentar-se-á identificar eventuais diferenças entre os quadros de ministros e oficiais – do ponto de vista dos alimentos consumidos. No fundo, questionar: que hierarquias podem ser identificadas a partir daqui? Haveria diferenças substanciais? Tratava-se de um momento que era partilhado por todos, ou eram separados: ministros para um lado, oficiais para o outro? Sabe-se que havia diferentes elementos de várias instituições envolvidas na realização do auto-da-fé, mas será que todos partilhavam a mesma refeição? Eram estas reservadas apenas aos membros da Inquisição? O que representava a realização do auto, no quadro global das despesas da instituição?

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LOPES, Bruno, «“Alimentar” o auto-da-fé: uma incursão pelos gastos do prin-cipal cerimonial da Inquisição portuguesa no século XVIII», in SOARES, Carmen e RIBEIRO, Cilene da Silva Gomes (coords.), Mesas luso-brasileiras: alimentação, saúde & cultura, vol. II, Coimbra, Imprensa da Universidade de Coimbra; Pucpress, 2018, pp. 259-291.

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