À FORÇA DE PADECER: CONSIDERAÇÕES SOBRE A DOR COMO EXPERIÊNCIA ONTOLÓGICA
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DWWe
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A dor e o sofrimento têm tido, ao longo da história, um lugar especial no âmbito da filosofia
prática. Do ponto de vista do cuidado de si, são aquilo que a moral grega procura evitar, com a
racionalidade da conduta orientada para a eudaimonia. Do ponto de vista cristão, têm um papel
redentor no caminho para vencer o terrenal. Em ambos os casos, são marca e sintoma do que hoje
chamamos condição antropológica: sofrer é ser vulnerável à dor e à morte, quer própria quer alheia.
Nesse sentido, a vulnerabilidade impregna a existência do ser humano e é susceptível de abordagens
positivas e epistemológicas. No entanto, de um ponto de vista fenomenológico, é a experiência da dor,
nos seus abismos e ápices, que revela esse modo de ser em que o ente humano se encontra com a sua
pele ontológica: com o limite do seu ser, em que soma e psyche se não distinguem. É essa experiência
ontológica do limite que vou procurar abordar, num contexto em que a fenomenologia e a psicanálise
se tocam, e se diferenciam aspectos existenciais, culturais e cognitivos.
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Borges-Duarte, I.: “À força de padecer. Considerações sobre a dor como experiência ontológica.” Natureza Humana (São Paulo), v. 21, n. 2 (2019), 112-129.