La réception française de la mécanique statistique
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Universidade de Évora
Abstract
A recepção francesa da Mecânica estatística é caracterizada por diferentes momentos e pela heterogeneidade das leituras e dos modos de apropriação que ela suscitou. Num primeiro momento, os Franceses interessaram-se de um modo passivo pela jovem teoria cinética. Eles leram a nova teoria num quadro dominado pela adesão a uma forma post-laplaciana de mecanismo. Os introdutores da nova teoria, na versão elementar de Clausius, são especialistas de Optica os quais, como Ampère, atribuem um papel fundamental ao éter nos fenómenos térmicos. O agnosticismo da Física de Regnault e o receio em usar as probabilidades em Física inspiram uma certa desconfiança em relação às novas teorias. O declíneo da tradição de Mecânica física explica também esta falta de interesse. Num segundo momento, Brillouin, Poincaré e Borel contribuem de modo original para a teoria, mas a circulação das ideias é em sentido único. Os estrangeiros interessam-se pouco pelas primeiras contribuições francesas. Só o uso que Langevin faz da teoria cinética no quadro da Física dos iões recebeu alguma atenção.
O presente trabalho mostra que houve, na segunda metade do século XIX, várias concepções cinéticas do calor et que alguém da estatura de Clausius aceitava esse pluralismo ou, pelo menos, o reconhecia. Esta situação pode ser comparada à multiplicidade das teorias mecânicas contemporâneas do éter óptico. Uma outra surpresa que este trabalho traz é a variedade de atitudes dos Franceses em relação às teorias moleculares, a qual contradiz os lugares-comuns sobre a ausência de uma Física teórica francesa ou da prevalência total das abordagens empíricas e fenomenológicas.