Elites e indústria no Alentejo (1890-1960): um estudo sobre o comportamento económico de grupos de elite em contexto regional no Portugal contemporâneo

dc.contributor.advisorFonseca, Helder Adegar
dc.contributor.authorGuimarães, Paulo Eduardo
dc.date.accessioned2014-07-21T14:46:20Z
dc.date.available2014-07-21T14:46:20Z
dc.date.issued2004
dc.description.abstract"Sem Resumo feito pelo autor"; Este estudo teve por objectivo analisar o comportamento econômico, dos grupos de elite face à indústria na região do Alentejo entre os finais do século XIX e a primeira metade do século XX, ou seja, um período marcado pela afirmação duma vocação cerealífera para uma região latifundiária que, por sua vez, legitimou um regime fortemente proteccionista e intervencionista ancorado na ideia de um Portugal essencialmente agrícola. Ora, se os finais do século XIX marcaram um primeiro momento de ruptura como liberalismo económico e de viragem na configuração da economia regional, o nosso limite cronológico foi balizado pelo momento em que as suas fundações foram seriamente abaladas como êxodo das populações rurais e com as dificuldades sentidas, pela lavoura "tradicional", tornando-se clara a perda de velocidade no crescimento económico da região face à emergência de pólos industriais no litoral. Entre estas duas balizas consolidou-se à sombra do tradicionalismo uma configuração ideológica duradoura do Alentejo contemporâneo e das suas elites que constituem aqui objecto de interesse e de análise histórica compreensiva. Questiona-se, por ser redutora, a imagem neo-realista do Alentejo como uma sociedade rural, dividida entre uma massa de trabalhadores proletários e um número reduzido de latifundiários avessos ao progresso, absentistas e tradicionalistas, a partir da análise da documentação disponível sobre a actividade industrial e a vida das, empresas não agrícolas que marcaram a economia da região durante aquele período. Com isto procurámos realçar não só um dos aspectos essenciais que têm ficado na penumbra das representações da sociedade e economia alentejanas, como mostrara participação dos grupos de elite em actividades fora da esfera agrícola. Essa participação envolveu muitas vezes a constituição de sociedades por acções e estendeu-se da moderna indústria da moagem e da produção e distribuição de electricidade, à produção de cortiça, refinação de azeites, fabrico de sabão, indústria mineira, metalurgia, fabrico de máquinas e de equipamentos agrícolas. Para além dos grandes proprietários, outros actores, estiveram presentes em iniciativas industriais que arrancaram ou se desenvolveram neste período na região, como sucedeu coma indústria dos refrigerantes, torrefacção de café, têxtil, cerâmica, mármores ou metalomecânica. 0 conjunto revelou, assim, uma diversidade de iniciativas que põe em causa a ideia de que o comportamento das elites agrárias foi impeditivo do desenvolvimento de outras iniciativas. Assim, este estudo integra-se na linha dos trabalhos desenvolvidos pela historiografia mais recente para o século XIX que realçaram o carácter capitalista e empresarial dos grupos da elite económica alentejana, nomeadamente dos de Helder Fonseca (1998, 1996a, 1996b e 1987) e de Jaime Reis (1993,1982,1979)• 0 papel das elites económicas do sul na formação do Portugal contemporâneo constituiu-se como um problema histórico relevante e, por isso, interessa como objecto de análise histórica. Ora classificadas como "burguesia agrária", ora como uma "oligarquia rural", estas elites formaram-se no processo histórico do liberalismo português do qual teria resultado uma "estrutura agrária" imperfeita (Martins-1990 [1876]: 146-148; Pereira- 2001:113-135). Esta fracção da nova classe dominante não só se distinguia da "burguesia comercial" e "financeira" como tinha o seu próprio programa que se opunha aos interesses da "burguesia industrial" expressos pelos "industrialistas" (Rosas-1986; Schwartzman-1985 e 1989). Identificada com os "latifundiários", promotores dum "bloco agrário" anti-moderno, os "agrários" constituíram o cerne do "lobby ruralista” que integraram as forças conservadoras católicas e anti-liberais que apoiaram o Salazarismo (Madureira-2002: 31-34; Fernandez Clemente-1996:122-123; Rosas-1986 e 1990). 0 Estado Novo nos anos ‘30, na sua fórmula corporativa e fascizante, teria sido assim construído sobre um equilíbrio de interesses entre diferentes facções da "classe dominante". Neste sentido, o regime saldo da Ditadura Militar seria de "toda a burguesia" (Lucena-1976) e os anos que sucederam à II Guerra Mundial seriam marcados por uma "industrialização sem reforma agrária" (Pereira-2001, Rosas-1994)• Embora esteja fora deste estudo analisar as teses em presença sobre o papel das elites agrárias do sul na formação do Portugal contemporâneo, importa referir que desde os finais de Oitocentos, quando se mobilizaram politicamente em torno do proteccionismo cerealífero e em oposição aos interesses da grande indústria da moagem de Lisboa e Porto, até ao momento em que se opuseram aos projectos de reorganização agrária que o seu comportamento tem sido realçado pelo tradicionalismo e absentismo. O tema constituiu-se assim como um problema histórico. desenvolvimento urbano e os limites impostos pela dimensão dos mercados interiores. Longe de terem um papel meramente passivo, estudos de caso para o século XIX mostraram, como padrão regular do comportamento destas elites "periféricas", a diversidade dos negócios em que se envolveram, o investimento com mira no lucro e na acumulação privada de riquezas materiais. O percurso empresarial centrado em alguns casos notáveis mostrou-se diverso na origem bem como nos investimentos realizados. Se estes recaíram sobretudo sobre a circulação (grande comércio, crédito, contratos com o Estado) e a agricultura exportadora, não deixávamos de encontrar também investimentos na mineração e na metalurgia, por exemplo (Cerutti-1992).por
dc.identifier.authoremailpeg@uevora.pt
dc.identifier.scientificarea704por
dc.identifier.sharewithdep. histpor
dc.identifier.urihttp://hdl.handle.net/10174/11324
dc.language.isoporpor
dc.publisherUniversidade de Évorapor
dc.rightsopenAccesspor
dc.subjectElites e indústrias no alentejopor
dc.subject1890-1960por
dc.subjectEstudo sobre o comportamento económicopor
dc.subjectGrupos de elitepor
dc.subjectContexto regionalpor
dc.subjectPortugal comtemporâneopor
dc.subjectElites sociaispor
dc.titleElites e indústria no Alentejo (1890-1960): um estudo sobre o comportamento económico de grupos de elite em contexto regional no Portugal contemporâneopor
dc.typedoctoralThesispor

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