A~lã~tejo: Paisagens da lã, do vagar e de pastores
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Meridional. Revista de Estudos do Mediterrâneo
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Partindo de uma abordagem ecocrítica e fenomenológica às representações da paisagem alentejana na literatura portuguesa do século XX, este ensaio procura trazer um novo olhar sobre as paisagens associadas à prática do pastoreio no Alentejo. Desde tempos ancestrais, as planícies alentejanas, cobertas de matos mediterrânicos, foram atravessadas por numerosos rebanhos de ovelhas. Ao ler os geógrafos e historiadores, percebe-se a perenidade de um território que foi sendo moldado pelo pastoreio, uma paisagem de lã em movimento. A pastorícia de gado ovino foi, durante muitos séculos, uma actividade de importância primordial na economia rural deste território do Sul. Convocando inspirações e conceitos da antropologia ecológica e da ecologia dos materiais de Tim Ingold, e através da análise entrelaçada de vários excertos literários que se situam no Alentejo, sugerem-se novos sentidos e novas leituras da paisagem, seguindo uma linha de pensamento que se desenrola pelos fluxos e materialidade da lã, pela temporalidade do vagar alentejano e pela humanidade contemplativa dos pastores. Sugere-se uma leitura da paisagem alentejana a partir do conceito de fluxos de materiais de Ingold, dando especial atenção à lã no seu fluir orgânico e vital: ovelha-velo-malha. Destaca-se ainda a pertinência do conceito de vagar, indissociável das paisagens alentejanas de pastorícia.
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Portela, J. A. (2022). "A~lã~tejo: Paisagens da lã, do vagar e de pastores". Meridional, 2, 242-271.