Para (re)pensar a(s) língua(s) que falamos
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Numa das suas reconhecidas citações, o filósofo e matemático inglês Bertrand Russell afirmou
que não importa o quão eloquentemente um cão possa latir, ele nunca será capaz de relatar
que os seus pais eram pobres mas honestos. Muitos outros filósofos, na sua incessante busca
pela essência humana, ou seja, aquilo que nos distingue dos outros animais, julgam ter
encontrado a resposta na nossa capacidade de aprender e utilizar uma língua para nos
comunicarmos.
Em kigongo, a língua falada pelos bacongos das províncias de Cabinda, Uíge e Zaire em Angola,
a palavra kintu significa ‘algo animado mas não propriamente humano’. Por outro lado, a
palavra muntu significa ‘verdadeiramente humano’. Para muitos dos povos que fazem essa
distinção entre esses dois conceitos, kintu e muntu, um recém-nascido apenas se torna um
muntu quando o seu progenitor, ou o feiticeiro, lhe dá um nome e o diz em voz alta. Em outras
sociedades semelhantes, somente a partir da aprendizagem e uso de uma língua é que nos
tornamos ‘verdadeiramente humanos’, um muntu.
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Guerra, Luís. Para (re)pensar a(s) língua(s) que falamos, Tribunaalentejo, 12/02/2015, 1-1.