Convivemos numa sociedade justa e decente? Críticas, Envolvimentos e Transformações

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Editora Fronteira do Caos

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Porque se mobilizam criticamente as pessoas? Esta é uma pergunta para a qual as ciências sociais têm vindo, nas últimas décadas, a procurar resposta. Se podemos, por um lado, afirmar que a crítica e a denúncia são dispositivos fundamentais para a mobilização individual e colectiva nas sociedades modernas, em geral, e mais acentuadamente nas sociedades de modernidade liberal alargada (Wagner, 1996), cabe também esclarecer que os quadros ético-morais, cognitivos e actantes que organizam as operações críticas e de denúncia e as consequentes mobilizações em seu redor podem diferir significativamente, quer de acordo com a sua historicidade, quer de acordo com as múltiplas situações em que os atores se encontram uns perante os outros em tempos e lugares descompassados. . Um primeiro quadro a que nos podemos referir, neste âmbito, é o da justiça. A crítica assume aqui o papel de denúncia da injustiça. Tendo a justiça que ver com a distribuição ou troca de bens comuns (Boltanski & Thévenot, 1991), de acordo com determinadas convenções e critérios sociais, a crítica e a denúncia estão associadas àquilo que se considera ser uma distribuição ou troca não adequada desses mesmos bens (face às convenções socialmente reconhecidas), e portanto, classificada como injusta. As investigações neste domínio têm igualmente demonstrado como as disputas sobre o carácter justo ou injusto de uma situação são rotineiramente levadas a cabo pela convocação, com intuitos justificativos ou críticos, de uma ou várias ordens de convenções que especificam, cada uma delas, um sentido do justo, em função da sua orientação para uma determinada forma de bem comum.

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RESENDE, José Manuel; MARTINS, A. M. P. C. D. (Org.) . Convivemos numa sociedade justa e decente? Críticas, Envolvimentos e Transformações. 1. ed. Porto: Editora Fronteira do Caos, 2017.

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