Variabilidade espacial de características químicas do solo: relações com a topografia do terreno e com a produtividade do milho

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Sociedade de Ciências Agrárias de Portugal

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Com este trabalho pretende-se: analisar a variabilidade espacial de propriedades químicas da camada arável do solo (<25 cm), concretamente, o fósforo e potássio extraíveis, o pH, o cálcio, magnésio e potássio de troca e a capacidade de troca catiónica; avaliar a estratégia de amostragem adoptada; pesquisar as relações existentes entre as características químicas do solo, a topografia do terreno e a produtividade, considerando também as respectivas implicações para a nutrição vegetal. Este estudo iniciou-se em Agosto de 2001, incidindo sobre uma área de cerca de 15 ha, localizada numa exploração agrícola na região Alentejo, Terena, 80 km a Este de Évora, onde se pratica a cultura de milho regado com rampa de rega rotativa há cerca de 10 anos. Efectuou-se um levantamento da topografia do terreno com um sistema de posicionamento global (GPS), adoptando uma densidade de amostragem de 5 m na linha e 15 m na entrelinha. Foram amostrados 1111 pontos para a medição da produtividade, utilizando para isso uma ceifeira com um “kit” de agricultura de precisão. Recolheram-se 109 monólitos de solo até uma profundidade no máximo de 120 cm, recorrendo a uma sonda mecânica e adoptandoamostragem sistemática numa malha de aproximadamente regular. Os solos observados são maioritariamente Regossolos e Cambissolos Calcários, com alguns Luvissolos e Fluvissolos. Verificou-se que o reconhecimento da distribuição espacial de nutrientes no solo requer diferentes técnicas de amostragem, que se devem adequar ao comportamento de cada nutriente no solo e às práticas culturais utilizadas em cada exploração. Comprovou-se, também, que 2 as propriedades químicas do solo estudadas sofrem importantes variações no espaço, com efeitos potencialmente significativos sobre a produtividade das culturas, por exemplo, verificamos que a amplitude da concentração de potássio de troca poderá ser superior a 9 vezes em locais relativamente próximos. Estas variações são apenas parcialmente dependentes das variáveis topográficas consideradas. A variação das características químicas do solo e da topografia têm consequências imediatas ao nível da produtividade da cultura e consequentemente deveriater também implicações ao nível da nutrição vegetal, o que vulgarmente não acontece.

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Marques da Silva, J. R., Alexandre, C. 2005. Variabilidade espacial de características químicas do solo: relações com a topografia do terreno e com a produtividade do milho. Revista de Ciências Agrárias, Vol. 28, 2: 343-352.

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