A espantosa ideia de a arte poder ser uma manifestação da sobrevivência
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O espanto 3 é "uma virtude que vale a pena promover em nós mesmos e nos outros" (Kearns. 2015). Tentamos neste artigo-que é parte integrante da tese em história de arte que desenvolve o autor, de titulo O"Artesanato" como processo criativo: o exemplo da Barrística. Contributo para uma reflexão sobre a criatividadeanalisar uma possibilidade que nos causa esse espanto. A possibilidade de a arte ser uma resposta de sobrevivência no ser humano (Cabeça. 2022a.). Analisamos as respostas cognitivas psicológicas, perante a arte, quer do ser humano primitivo, quer do homem moderno. Vamos neste ensaio especular sobre a espantosa ideia, trans disciplinar, da possibilidade de o comportamento simbólico, que origina a arte, além de não ser um exclusivo humano (Gentile. 2021) possa ser uma eventual consequência do processo e da luta pela sobrevivência da espécie. A criatividade, sendo fundamental também na base da produção artística, é de facto, comprovadamente, um mecanismo de sobrevivência em variadas espécies animais (Kaufman 2016. 4, pp. 29-36). A neurobiologia faz propostas de compreensão do mecanismo criativo também como um de projeção e associação de imagens do subconsciente (Coolidge et al. 2023), para melhor eficiência na relação do ser vivo com o meio ambiente onde tenta sobreviver. A Arte, ou representação simbólica, enquanto fenómeno da espécie Homo sapiens e possivelmente suas antecessoras, como a do Homo neanderthal (Marquet et al. 2023) ou até mesmo na do Homo habilis/rudolfensis ou mesmo Homo erectus (Harrod, 2014), pode ter a sua origem neste fenómeno neurológico.
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Cabeça, Paulo. 2023. A espantosa ideia de a arte poder ser uma manifestação da sobrevivência. Ensaio para Seminário em Investigação avançada em História de Arte. CHAIA. https://doi.org/10.13140/RG.2.2.20606.15682