UM CASO DE EPISCLERITE NODULAR POR ONCHOCERCA SP. EM CÃO.
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Abstract
Apresentou-se à consulta em Outubro de 2005, um canídeo macho de raça Chow-chow, de 3 anos de idade, residente no concelho de Olhão. O estímulo iatrotrópico relacionava-se com a presença de um nódulo na conjuntiva episcleral do olho direito. Ao exame clínico o animal apresentava uma condição corporal 2 estando as restantes constantes vitais dentro da normalidade. No exame oftalmológico observou-se a presença de entropion bilateral da pálpebra inferior, queratite superficial pigmentar, quemose moderada, epífora muco-purulenta e um nódulo episcleral no olho direito. O nódulo estava presente na conjuntiva episcleral do canto nasal e apresentava uma fístula a partir da qual se retiraram vários organismos filiformes.
Procedeu-se à biópsia deste nódulo e à sua análise histopatológica, a qual produziu um diagnóstico de episcletrite eosinófilica com presença de microfilárias e nématodos adultos. Paralelamente realizou-se pesquisa de antigénio de Dirofilaria immitis, exame coprológico, hemograma, perfil bioquímico, esfregaço de sangue periférico e identificação dos parasitas recolhidos. A pesquisa de antigénio de D. immitis e de microfilárias em sangue periférico revelou-se negativa. No exame coprológico não se observaram ovos de nemátodes, céstodes ou tremátodes, contudo, os parasitas foram identificados como pertencentes ao género Onchocerca sp. Entre as alterações hematológicas, observamos linfocitose e anemia normocítica normocrómica.
A terapêutica consistiu na administração por via intra-muscular profunda de dicloridrato de melarsamina na dose de 2,5 mg/Kg seguida de uma segunda administração 24 horas depois. Como terapêutica adjuvante usou-se prednisolona na dose de 1 mg/Kg PO SID durante 21 dias e trihidrato de amoxicilina/clavulanato de potássio na dose de 13,5 mg /Kg BID durante 21 dias. Observou-se a remissão completa dos sinais clínicos 4 semanas após o início da terapêutica.