Área funerária romana em Évora: dos restos ósseos aos rituais funerários

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CIAS - Centro de Investigação em Antropologia e Saúde

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Após intervenção parcial numa área funerária romana (datada entre os sécs. I e II d.C.), identificada em Évora, foi analisado em laboratório o conteúdo osteológico e odontológico de 11 estruturas funerárias de cremação e uma de inumação. Cruzando os resultados da análise antropológica com o espólio arqueológico associado foram obtidas informações em torno dos rituais funerários, nomeadamente os associados à cremação, e traçado o perfil biológico dos indivíduos. Verificou-se uma alta variabilidade na construção e utilização das estruturas funerárias, quer na tipologia das mesmas, quer no processamento pós-crematório, fenómeno comum em áreas funerárias romanas de Hispania, tal como no restante espaço do Império romano. Não foi identificada qualquer relação entre o tipo de estruturas, as oferendas e a distribuição etária e sexual presente. No entanto, foi possível observar, na área intervencionada, a tendência para a utilização de graus de combustão elevados, a aplicação da cremação exclusivamente a cadáveres e não a esqueletos e a forte presença de não adultos, a maioria com menos de um ano de vida (5/10). Este último facto, se se estendesse a toda a área funerária, poderia indicar uma alta mortalidade infantil na época, e surpreende pela conservação de restos de indivíduos muito jovens, face à fragilidade dos seus ossos.

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Fernandes, T.M., Paredes, J., Rebocho, L., Lopes, M.H., Janeirinho, V., 2012. Área funerária romana em Évora: dos restos ósseos aos rituais funerários. Antropologia Portuguesa, 29:183-201.

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