A palavra: instrumento de acesso ao poder: o caso particular do debate eleitoral em Portugal em 1986 e 1991

dc.contributor.advisorBarbosa, Jorge Morais
dc.contributor.authorSaianda, Maria Helena de Carvalho Rosado
dc.date.accessioned2014-07-08T14:48:43Z
dc.date.available2014-07-08T14:48:43Z
dc.date.issued1998
dc.description.abstract"Sem resumo feito pelo autor";- Quando, em 1991, decidimos iniciar os trabalhos conducentes à apresentação da presente tese de doutoramento vivia-se o clima de agitação político-social que normalmente acompanha uma campanha eleitoral sobretudo quando essa campanha tem como finalidade eleger o Presidente da República. Mário Soares, que aspirava a um segundo mandato, e Basílio Horta, seu opositor, eram as personalidades do momento, não só porque a disputa do cargo se tinha efectuado entre ambos (todos os outros candidatos haviam sido afastados no decorrer da campanha), mas também porque o debate organizado pela televisão para esclarecimento da opinião pública tinha sido um espectácuo.: Situação idêntica à que acabamos de descrever se vivera em 1986, quando se realizou, em segunda volta, a eleição que deu a primeira vitória a Mário Soares. Freitas do Amaral foi o candidato vencido, após ter obtido, na primeira volta das eleições, uma votação que, por pouco, lhe não deu a vitória imediata. O debate então organizado entre os candidatos à Presidência da República -Mário Soares e Diogo Freitas do Amaral - foi o primeiro que se realizou em Portugal, entre os candidatos finais, no âmbito da campanha eleitoral. Rodeado também, como o de 1991, de alguma expectativa, e tendo, como é próprio deste tipo de emissões, levantado alguma celeuma, foi, diríamos, mais civilizado, facto reconhecido publicamente por Mário Soares quando lamentou, em 1991, no seu depoimento final, que o debate em que acabava de participar não tivesse tido o nível do de 19862. Neste confronto as marcas de agressividade, provavelmente pelo facto de não haver ainda uma tradição de debate eleitoral no nosso país, não foram tão ostensivas, e, como tal, o discurso dos candidatos, sobretudo quando comparado, com o actualizado pelos participantes no debate de 1991, deixa entrever uma interacção verbal menos conturbada. Na realidade, as inúmeras interrupções e as também inúmeras sobreposições de falas do debate de 1991 não têm paralelo nem antecedentes no debate de 1986, o que não significa que interrupções e sobreposições características do discurso oral, e tendo esse discurso uma função essencialmente argumentativa, não tenham acontecido. Tal como em 1991, o conflito, o desacordo, a contestação, foram determinantes na produção discursiva dos candidatos, o que é, aliás, natural quando o objectivo a atingir tem duas facetas diametralmente opostas e simultâneas: a promoção e a despromoção, o acesso ao poder e a privação dele. Esta ambiguidade, que nos pareceu ser um forte condicionamento para o discurso actualizado pelos candidatos à Presidência da República perante as câmaras de televisão, levou-nos a reflectir sobre os meios linguísticos utilizados para dar corpo às intenções enunciativas já mencionadas. E essas intenções, que tiveram na realidade como objectivo último a conquista do poder pela conquista da posição na hierarquia social, passaram pela manipulação da palavra, assumindo esta assim, naturalmente, um caracter determinante no quadro que esboçámos. Na verdade, inerente à natureza do ser humano, a procura do poder, qualquer que seja a forma que ele assuma, orienta, a maior parte das vezes, a própria actividade do homem. A vida real é, pois, conduzida, ainda que inconscientemente, por essa busca, que, para ser concretizada, se traduz nas acções que os indivíduos praticam e que, na maior parte dos casos, são acompanhadas de actividade verbal. A actividade verbal é, assim, parte integrante das acções levadas a efeito e contribui em larga medida para a satisfação do desígnio. A observação empírica desse exercício da palavra, induz, também empiricamente, a ideia de que da interacção verbal entre os indivíduos decorre, mesmo nas mais correntes situações do viver quotidiano, um conflito para obtenção do estatuto pelo qual a disputa se trava.por
dc.identifier.authoremailmhrs@uevora.pt
dc.identifier.scientificarea298por
dc.identifier.sharewithdep. llpor
dc.identifier.urihttp://hdl.handle.net/10174/11273
dc.language.isoporpor
dc.publisherUniversidade de Évorapor
dc.rightsopenAccesspor
dc.subjectA palavrapor
dc.subjectDebate eleitoral 1986 e 1991por
dc.subjectInstrumento de acesso ao poderpor
dc.titleA palavra: instrumento de acesso ao poder: o caso particular do debate eleitoral em Portugal em 1986 e 1991por
dc.title.alternativeEstudo contrastivo de associações lexicais no discurso comum e no discurso parlamentarpor
dc.typedoctoralThesispor

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